Chefe da ONU elogia libertação de detidos e promessas de diálogo que podem pôr fim à crise no Burundi

Desde o ano passado, crise política levou mais de 240 mil pessoas a fugir do país. O atual presidente, Pierre Nkurunziza, anunciou que vai libertar 1,2 mil detidos, anular ordens de prisão e eliminar algumas restrições à imprensa.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, conversou com repórteres após encontro com o presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, à esquerda. Foto: PNUD/Aude Rossignol

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, conversou com repórteres após encontro com o presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, à esquerda. Foto: PNUD/Aude Rossignol

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, elogiou nesta terça-feira (23) as recentes medidas anunciadas pelo presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, que decidiu anular ordens de prisão, acabar com algumas restrições à imprensa e libertar 1,2 mil detidos.

As iniciativas foram vistas pela ONU como gestos de boa vontade para pôr fim a uma crise política que já matou mais de 400 cidadãos e levou mais de 240 mil a deixar a nação africana.

A atual crise começou em abril de 2015, após o atual presidente se candidatar um controverso terceiro mandato. Em julho, Nkurunziza foi reeleito, mas não sem consequências para a população do Burundi. Além das mortes e do deslocamento em massa para fora do país, a crise levou à prisão de milhares de pessoas que, possivelmente, teriam sido submetidas a violações dos direitos humanos.

Em visita ao Burundi, Ban Ki-moon conseguiu reunir partidos do governo e da oposição em um encontro onde todos se comprometeram a estabelecer diálogos inclusivos. O chefe da ONU também recebeu indicações positivas de Nkurunziza. “Nada os impede de continuar neste caminho (de negociação)”, afirmou Ban.

O secretário-geral lembrou sua passagem pelo país em 2010, às vésperas de eleições gerais que marcaram o fim da guerra civil e uniram antigos inimigos de batalha em prol do futuro do Burundi. Segundo Ban Ki-moon, a nação africana precisa mudar seu foco, de uma política de resposta a crises para uma cultura de ação e diplomacia preventivas.

O chefe da ONU informou que seu conselheiro especial para o Iêmen, Jamal Benomar, enviou uma equipe ao Burundi para auxiliar o governo no estabelecimento de negociações políticas credíveis e inclusivas, além de prestar assistência quanto a questões de segurança. Ban Ki-moon espera que os líderes políticos burundianos estejam dispostos a assegurar um processo de transição que possa trazer a paz, novamente, para a população.