Em um fórum na República do Congo, chefes de estado, refugiados, membros da sociedade civil e de grupos armados debatem passos para avançar na reconciliação da República Centro-Africana.

Duas crianças caminham no campo de deslocados em Bangui, capital da República Centro-Africana. Foto: UNICEF/Pierre Terdjman
O povo da República Centro-Africana (RCA) deve aproveitar a oportunidade de negociação que ocorre em Brazzaville, na República do Congo, para avançar a reconciliação e “abrir uma nova página em sua história”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon nesta segunda-feira (21).
“Temos que acabar com a violência e silenciar permanentemente as armas. Com a ausência de uma solução política duradoura para os problemas da região, não haverá perspectiva de paz e unidade na RCA”, disse Ban, em uma mensagem divulgado ao fórum em Brazzaville por seu representante especial para a RCA, Babacar Gaye.
Ban disse que os próximos passos para a reconciliação incluem coordenação política e estabelecimento de uma frente contra aqueles que procuram minar o processo de paz. Adicionalmente, pediu as instituições de transição que cumpram seus mandatos de forma eficaz, através da promoção de eleições livres, transparentes e credíveis.
O fórum de três dias conta com a presença de chefes de estado, incluindo a presidente interina da RCA, Catherine Samba-Panza, representantes de organizações da sociedade civil, partidos políticos e grupos armados, bem como refugiados. “A participação nacional é imperativa. Sem ela, os esforços da comunidade internacional serão em vão”, disse Ban.
A Missão de Estabilização Multidimensional Integrada da ONU na RCA (MINUSCA) continuará trabalhando com atores africanos e internacionais em busca de uma solução duradoura para o conflito. O chefe da ONU anunciou que a partir do dia 15 de setembro, a MINUSCA assumirá a força da União Africana conhecida como MISCA, e operará sob um mandato mais amplo, continuando a buscar e facilitar um compromisso e apoio internacional ainda maior. Além de apoio político, fortalecer a assistência econômica, financeira e humanitária é crítico porque a reconciliação e o diálogo não podem prosperar num ambiente marcado pela pobreza extrema, observou o secretário-geral da ONU.