Chefe humanitária da ONU critica bloqueio no acesso de ajuda aos mais necessitados na Síria

“As partes envolvidas no conflito continuam colocando obstáculos no caminho para o acesso sustentado que as organizações humanitárias exigem”, disse a coordenadora de Ajuda Humanitária da ONU.

Destruição causada pelo conflito em Yarmouk, na Síria. Foto: ACNUR

Destruição causada pelo conflito em Yarmouk, na Síria. Foto: ACNUR

Apresentando o mais recente relatório sobre o acesso humanitário na Síria ao Conselho de Segurança da ONU, a subsecretária-geral para Assuntos Humanitários e coordenadora de Ajuda Humanitária da ONU, Valerie Amos, disse que o país continua tendo a maior e mais urgente crise humanitária do mundo devido às implicações regionais e globais. 

De acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o maior desafio continua sendo o acesso aos necessitados. Cerca de 11 milhões de pessoas precisam urgentemente de assistência na Síria. No entanto, cerca de 4,7 milhões de pessoas estão em áreas que a entrega de ajuda humanitária só é possível através da fronteira e mais de 241 mil pessoas estão sitiadas, principalmente por forças governamentais, sem receber assistência.

“As partes envolvidas no conflito na Síria continuam colocando obstáculos no caminho do acesso sustentado que as organizações humanitárias exigem”, disse Amos. Segundo ela, grupos armados bloqueiam as entregas em áreas fora do seu controle e o Governo sírio continua a usar procedimentos administrativos burocráticos que dificultam e prejudicam as operações de ajuda. 

“O inverno está se aproximando e suprimentos vitais são necessários para proteger as pessoas do frio. Os países vizinhos também precisam de apoio urgente para que eles possam continuar abrigando milhões de refugiados”, ressaltou Amos, exortando as partes em conflito para garantir o acesso àqueles que necessitam de assistência e à comunidade internacional para apoiar financeiramente nas operações de ajuda. 
 
No entanto, ressaltou a ação mais urgente neste momento é pôr fim a violência que já matou mais de 190 mil pessoas no país.