Estima-se que 38% da população não tenha acesso a água e saneamento. Apesar dos avanços no combate ao cólera, ao menos 30 pessoas são infectadas diariamente no país.

Foto: MINUSTAH/Logan Abassi
Apesar dos progressos significativos no controle da epidemia de cólera no Haiti, muitos haitianos continuam a adoecer por falta de acesso a água potável e sistemas de saneamento.
Para reverter este quadro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reuniu com parceiros globais, incluindo o chefe do Banco Mundial, em uma conferência convocada nesta quinta-feira (09) para apresentar propostas e pedir compromissos para melhorar a cobertura sanitária e aquífera e, consequentemente, a saúde dos haitianos nos próximos três anos.
“Expandir a cobertura de água potável e saneamento é possível. Não podemos ignorar esta oportunidade de prevenir que milhares de crianças haitianas morram por causa de doenças transmitidas pela água”, disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, que confirmou a contribuição de 50 milhões de dólares da instituição para atender a 2 milhões de pessoas nas áreas mais afetadas do país.
Ban lembrou que por várias décadas existiu uma negligência no acesso universal e limpo à água e saneamento no Haiti, com graves consequências para a saúde. Hoje, cerca de 38% da população não tem acesso à água potável. Apesar dos progressos no combate ao cólera, estima-se que ao menos 30 pessoas são infectadas todos os dias.
A contaminação da água provoca doenças que poderiam ser prevenidas, como a diarreia e a desnutrição, impedindo não apenas o desenvolvimento das crianças, mas de toda a nação ao aumentar os índices de mortalidade infantil e impedir as crianças de frequentar a escola. Evidências demonstram que para cada dólar investido em água e saneamento, sete dólares são ganhos com a economia em serviços de saúde e aumento da produtividade na América Latina e o Caribe.
O secretário-geral enfatizou que o governo haitiano está engajado em expandir esses serviços e prevenir o cólera, contando com o apoio de todas as agências da ONU no país. No entanto, destacou que o plano nacional de 10 anos do governo só recebeu 10% dos 2,2 bilhões necessários para sua implementação e fez um pedido à comunidade internacional para ajudar o Haiti a transformar-se em uma nação mais “saudável e próspera”.