Na Guiné-Bissau, discordâncias políticas entre partidos e dirigentes levaram à crise que tem afetado negativamente a população. O chefe da ONU, Ban Ki-moon, pediu compromisso e boa vontade de lideranças nacionais para superar impasses.

Assembleia Nacional em Guiné-Bissau. Foto: Wikimedia
Expressando preocupação quanto à prolongada crise institucional que afeta a Guiné-Bissau, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu às lideranças da nação que busquem uma solução duradoura para impasses envolvendo o governo do novo primeiro-ministro e outras entidades políticas.
Segundo informações da imprensa internacional, em novembro, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), a legenda mais influente do país, rejeitou o então recém-indicado primeiro-ministro, Umaro Mokhtar Sissoco Embalo, e afirmou que boicotaria seus planos para a condução do governo.
Sissoco foi nomeado para o cargo pelo presidente Jose Mario Vaz, que havia dissolvido o governo anterior também devido à falta de apoio do PAIGC ao antigo primeiro-ministro, Baciro Dja. Logo após a indicação de Sissoco, o Partido declarou que não participaria da administração do país encabeçada pelo novo dirigente.
No início de dezembro (12), o primeiro-ministro anunciou os quadros que comporão seu gabinete. O grupo é composto por 37 funcionários, dos quais apenas Malal Sane — o escolhido para o Ministério de Assuntos Presidenciais e Parlamentares — é membro do PAIGC.
Os outros 36 secretários e ministros incluem 12 representantes do maior grupo de oposição da Guiné-Bissau, o Partido da Renovação Social, e membros de partidos opositores menores.
Depois do anúncio da equipe, relatos à imprensa indicavam que permanecia pouco claro se Sissoco conseguiria reunir o Parlamento e aprovar um orçamento com a oposição do PAIGC.
Em mensagem de seu porta-voz, Ban Ki-moon afirmou que compartilha da preocupação expressa anteriormente pelos chefes de Estado e Governo da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). Dirigentes se manifestaram na semana passada (17) para pedir um fim aos impasses políticos que afetam negativamente a população.
O secretário-geral convocou as lideranças políticas da Guiné “a demonstrarem o compromisso e a boa vontade necessárias para alcançar uma solução política duradoura” com base no Acordo de Conakry e no Roteiro da CEDEAO. Os documentos estabelecem os parâmetros para o estabelecimento de um governo a partir do diálogo inclusivo e do consenso entre as partes.
O chefe da ONU também disse ter tomado conhecimento da saída da missão da CEDEAO da Guiné-Bissau, prevista para o primeiro trimestre de 2017. Ban afirmou ter esperanças de que a decisão não seja definitiva e de que a saída dependa de fato das condições prévias estipuladas no Roteiro da CEDEAO e de consultas adequadas com os parceiros internacionais, incluindo as Nações Unidas.