Chefe da ONU pede que Síria permita missão sobre possível uso de armas químicas

Após ter solicitado uma “missão especializada, imparcial e independente” sobre o tema, Governo da Síria volta atrás e rejeita investigação da ONU. Missão aguarda autorização no Chipre.

Meninos brincam em um tanque do exército sírio destruído no noroeste da Aleppo. Foto: UNICEF/Romenzi

Meninos brincam em um tanque do exército sírio destruído no noroeste da Aleppo. Foto: UNICEF/Romenzi

Comentando a rejeição do Governo sírio sobre a proposta de uma missão da ONU para investigar o suposto uso de armas químicas na Síria, o Secretário-Geral da Organização, Ban Ki-moon, apelou nesta terça-feira (9) às autoridades para que adotem uma “cooperação plena” e permitam que a investigação prossiga.

Nesta segunda-feira (8), Ban havia anunciado que todos os preparativos técnicos e logísticos estavam prontos para o avanço da equipe da ONU, atualmente em trânsito no Chipre, em direção à Síria em menos de 24 horas.

No dia 20 de março, o Governo sírio — envolvido em conflito com os seus opositores nos últimos dois anos que já deixou um saldo de 70 mil mortos e 3 milhões de deslocados — solicitou uma “missão especializada, imparcial e independente” para investigar as alegações do uso de armas químicas.

“Lamento que o Governo da Síria ainda não tenha concordado com as modalidades que propus para a missão de investigar o suposto uso de armas químicas em locais dentro da Síria”, disse Ban a repórteres em Roma, onde ele se encontrou o Papa Francisco e com líderes italianos.

Observando a rejeição do governo, ele disse que não tinha recebido qualquer comunicação oficial sobre o assunto. “Eu gostaria de lembrar que eu recebi denúncias de uso de armas químicas no território sírio do Governo da Síria em 20 de março e dos Governos do Reino Unido e da França em 21 de março”, acrescentou.

“Meu mandato me obriga a examinar qualquer pedido de um Estado-Membro para realizar tal investigação”, acrescentou. A investigação se concentrará em um incidente de março deste ano em Khan al-Asal, Aleppo, e nas alegações do uso de armas químicas em Homs em dezembro passado.

“Eu apelo ao Governo da Síria para estender sua máxima cooperação e para permitir que a investigação prossiga. A missão está pronta. Eles estão esperando no Chipre. Espero, sinceramente, que o Governo da Síria aceita as modalidades que propus para a Missão.”

Desde que a revolta contra o presidente Bashar al-Assad começou em março de 2011, mais de 70 mil pessoas, a maioria civis, foram mortas, com outras 3 milhões deslocadas. Além disso, cerca de 1,3 milhão de pessoas se refugiaram em países vizinhos.