Chefe da ONU reitera pedido para fim do impasse nas eleições presidenciais no Haiti

Adiamento do segundo turno de eleições preocupa o secretário-geral da ONU. Ban cobra cumprimento do calendário eleitoral e transição pacífica do governo conforme previsto na Constituição, em 07 de fevereiro.

As eleições de 25 de outubro definiram os senadores e parlamentares e os nomes para concorrer ao segundo turno da presidência. Foto: MINUSTAH/Igor Rugwiza

As eleições de 25 de outubro definiram os senadores e parlamentares e os nomes para concorrer ao segundo turno da presidência. Foto: MINUSTAH/Igor Rugwiza

Pela segunda vez em duas semanas o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou nesta terça-feira (05) sua preocupação com o processo político no Haiti, pedindo as autoridades e os atores políticos pare resolverem suas questões pendentes o mais rápido possível para colocar fim ao pleito.

Em 25 de outubro, o candidato do governo, Jovenel Moise, e o ex-integrante do governo de René Préval, Jude Celestin, foram os dois nomes mais votados no primeiro turno de eleições presidenciais. A disputa final, no entanto, deveria ter acontecido em 27 de dezembro, mas o pleito foi adiado sem previsão de nova data para realização.

“O secretário-geral relembra que o parlamento não exerce suas funções desde janeiro 2015”, disse a declaração divulgada pelo porta-voz de Ban. “Ele sublinha a importância de dar início a nova legislatura dentro do período constitucional para assegurar a renovação das instituições democráticas e consolidar a estabilidade política no Haiti.”

O chefe da ONU também pediu que o processo eleitoral seja “concluído o mais rápido possível de uma maneira transparente, inclusiva e credível”.

A representante especial do secretário-geral no Haiti, Sandra Honoré e o chamado “Grupo Central”, formado pelo Brasil, Canadá, França, Espanha, Estados Unidos, União Europeia e a Organização de Estados Americanos, pediram nesta segunda-feira (04) às instituições do Estado e atores políticos para garantirem a transferência de poder pacífica do novo presidente eleito, conforme estabelecido constitucionalmente, na data de 07 de fevereiro.

Em sua declaração anterior, Ban destacou os esforços realizados pelas partes implicadas para dar fim ao impasse, incluindo o estabelecimento de uma comissão de avaliação eleitoral, com o mandato de responder as queixas dos partidos de oposição e garantir o cumprimento do calendário. Na nota, o chefe da ONU também ressaltou a responsabilidade de “todos os atores políticos desencorajarem a violência e incentivarem o espírito de unidade em todo o país.”

Ele reafirmou o compromisso da Missão da ONU de Estabilização no Haiti (MINUSTAH) e todo o sistema das Nações Unidas para continuar apoiando o povo haitiano no cumprimento de suas aspirações democráticas. A Missão, estabelecida em 2004, conta com mais de 4.500 tropas e policiais enviados ao Haiti com o mandato que evoluiu durante os anos de apoio ao governo de transição à recuperação do terremoto e à facilitação do processo político.