Chefe de agência da ONU busca solução para deslocados internos na Colômbia

Em sua primeira visita à Colômbia como alto comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi disse que encontrar soluções duradouras para milhões de colombianos deslocados internos é chave para acabar com o conflito mais longo da América Latina.

A visita acontece em um momento de esperança no processo de paz entre governo e Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que buscam acabar com um conflito armado que perdura por cinco décadas.

Deslocada pelo conflito armado na Colômbia, essa família vive agora em Arjona, uma comunidade pobre, perto de Cartagena, na costa norte do país. Foto: IRIN / Kristy Siegfried

Deslocada pelo conflito armado na Colômbia, essa família vive agora em Arjona, uma comunidade pobre, perto de Cartagena, na costa norte do país. Foto: IRIN / Kristy Siegfried

Em sua primeira visita à Colômbia como alto comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi disse que encontrar soluções duradouras para milhões de colombianos deslocados internos é chave para acabar com o conflito mais longo da América Latina.

A visita acontece em um momento de esperança no processo de paz entre governo e Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que buscam acabar com um conflito armado que perdura por cinco décadas, o qual produziu uma das maiores situações de deslocamento interno do mundo, com 7 milhões de pessoas nessa condição.

Seguindo seus encontros com as autoridades colombianas, Grandi saudou os esforços do governo no sentido de reintegração. “Estou impressionado com a legislação que tem sido posta em prática para proteger e oferecer reparação às vítimas do conflito, incluindo as pessoas deslocadas, e pelo compromisso das instituições para alcançar esses resultados”, disse.

Grandi também reconheceu os enormes desafios que o país deve enfrentar até que essas leis possam ser uma realidade para todos. Ainda há muito a ser feito, a fim de garantir que todas as vítimas e pessoas deslocadas possam desfrutar de seus direitos humanos, estabelecer-se em lugares seguros com o acesso a emprego e a serviços básicos, além de reconstruir o tecido social de suas comunidades.

“Enquanto a liderança desse desafio é uma responsabilidade nacional, o ACNUR continuará acompanhando esse processo histórico e apoiando a Colômbia na tarefa de fazer a paz uma realidade duradoura”, disse Grandi.

Ele ressaltou que a integração local em áreas urbanas deve ser um aspecto importante desses esforços, incluindo a legalização de assentamentos informais para os deslocados internos.

Combates na Colômbia começaram em meados dos anos 1960 e, desde então, evoluíram para um conflito complexo que envolve governo colombiano, FARC e outras guerrilhas de esquerda, grupos paramilitares e de criminosos. A violência já custou pelo menos 220 mil vidas ao longo de cinco décadas.

Através da Iniciativa de Soluções Transitórias, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Agência da ONU para Refugiados tem ajudado 39 mil pessoas em 17 comunidades urbanas e rurais a fazer progressos no sentido de encontrar soluções e desfrutar de seus direitos básicos, como moradia, acesso a terras e meios de subsistência.

A maioria das famílias que fugiu de suas casas está agora nas periferias urbanas das maiores cidades da Colômbia, incluindo a capital, Bogotá. Em Soacha, um município próximo da capital e que Grandi visitou no sábado (2), os deslocados internos apresentaram suas dificuldades em legalizar suas terras, uma vez que os bairros cresceram de forma não planejada, conforme mais pessoas iam chegando de todo o país.

“Minha família foi deslocada quatro vezes nos últimos 22 anos, temos caminhado em todo o país e experimentado todos os tipos de violações e atrocidades que foram cometidas contra mim e minha família. Pedimos apenas para viver um pouco melhor, ter um emprego e um terreno onde possamos viver”, disse um jovem que tinha chegado duas semanas antes, em Soacha, com sua esposa e filha.

Outro homem deslocado pelo conflito falou a Grandi sobre suas constantes preocupações com a segurança: “Desde que chegamos aqui, houve muitas violações de todos os tipos de direitos, especialmente em relação às crianças, incluindo o recrutamento e extorsão. Acreditamos que a única saída é o processo de paz. Com a paz, podemos finalmente ter um descanso”.

“O acordo de paz será um momento histórico e uma importante oportunidade para encontrar soluções tanto para os deslocados e as vítimas. No entanto, esse acordo deve ser visto como o início e não o fim do processo de construção da paz”, afirmou Grandi.