Situação na Síria é ‘aterrorizante’, alerta chefe de agência da ONU para refugiados

Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres advertiu o Conselho de Segurança da ONU que, se o conflito na Síria não for encerrado em breve, quase metade dos 20,8 milhões de cidadãos sírios poderão terminar este ano precisando de ajuda humanitária.

Menino sírio em um centro de recepção após cruzar com sua família para Jordânia. Doações do Kuwait para o ACNUR e outras agências da ONU fornecerão ajuda vital aos desabrigados e necessitados. Foto: ACNUR/J.Kohler

Menino sírio em um centro de recepção após cruzar com sua família para Jordânia. Doações do Kuwait para o ACNUR e outras agências da ONU fornecerão ajuda vital aos desabrigados e necessitados. Foto: ACNUR/J.Kohler

Na última semana, o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, advertiu o Conselho de Segurança da ONU que, se o conflito na Síria não for encerrado em breve, quase metade dos 20,8 milhões de cidadãos sírios poderão terminar este ano precisando de ajuda humanitária.

Em vídeo gravado para a sessão do Conselho, Guterres afirmou que 400 mil pessoas deixaram a Síria nas últimas sete semanas, elevando a população de refugiados registrados ou esperando pelo registro para 1,367 milhão de pessoas. Segundo ele, se esta tendência se confirmar, até o fim deste ano podem haver mais de 3,5 milhões de sírios refugiados, além dos 6,5 milhões de pessoas no interior da Síria precisando de ajuda.

“Os números são terríveis”, disse. “Além de assustador, pode se tornar insustentável. Não há maneira de responder adequadamente às necessidades humanitárias de tantas pessoas. É difícil imaginar como uma nação suporta tanto sofrimento.”

“Como Alto Comissariado para Refugiados, sei que deveria limitar minhas observações ao mandato da agência que lidero”, acrescentou, “mas como cidadão do mundo não posso deixar de perguntar: não há maneira de parar esta luta e abrir espaço para uma solução política?”

Guterres disse ao Conselho de Segurança que a necessidade de recursos para operações humanitárias tornou-se tão urgente que os governos precisam acionar mecanismos para aprovar investimentos extraordinários, evitando sobrecarregar a capacidade internacional de resposta ao conflito. Ele alertou ainda para a crescente pressão que a crise está exercendo sobre os países da região.

Impacto sobre países vizinhos

“O primeiro passo é que a comunidade internacional apoie substancialmente os dois países mais afetados pelo conflito sírio, Jordânia e Líbano”, disse Guterres. Ele também observou o impacto da crise sobre a Turquia, que forneceu mais de 750 milhões de dólares em assistência direta a mais de 300 mil refugiados do conflito sírio.

“Ajudar os países vizinhos a lidar com as consequências humanas deste terrível conflito é crucial para manter a estabilidade de toda a região. Esta não é apenas mais uma crise de refugiados – o que acontece na Síria e países vizinhos tem implicações em escala global.”

Na última quinta-feira (18), o Kuwait tornou-se o mais recente país a doar recursos para contornar a crise humanitária, fornecendo 110 milhões de dólares como parte de um pacote de financiamento de 275 milhões de dólares para as agências da ONU que atuam na crise.

A doação é a maior já feita por um país do Golfo e significa que a agência de refugiados da ONU (ACNUR) já recebeu 50% do valor solicitado para atender refugiados e deslocados sírios durante o primeiro semestre de 2013.

Acesse abaixo o apelo conjunto de chefes de agência da ONU sobre a crise na Síria:

http://youtu.be/RqeRMdKXh0A