Chefe de Direitos Humanos da ONU clama à comunidade internacional a agir contra impunidade na Síria

Sem investigações imediatas, a situação no país pode se transformar em um conflito generalizado e colocar toda a região em grave perigo, avalia Navi Pillay.

A Chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Navi Pillay, apelou hoje (1/6) à comunidade internacional para que aumente os esforços em acabar com a impunidade dos perpetradores de atrocidades na Síria. Ainda advertiu que, sem investigações imediatas, a situação no país pode se transformar em um conflito generalizado e colocar toda a região em grave perigo.

“Há necessidade de rápidas, independentes e imparciais investigações internacionais sobre todas as graves violações dos direitos humanos na Síria, incluindo as que têm ocorrido em Houla”, afirmou durante sessão especial do Conselho de Direitos Humanos. De acordo com investigações preliminares, o massacre em Houla, ocorrido em 25 e 26 de maio, resultou na morte de 108 pessoas, incluindo 49 crianças e 34 mulheres.

“Esses atos podem constituir crimes contra a humanidade e outros crimes internacionais, e podem ser indicativo de um padrão de ataques  sistemáticos e generalizados contra populações civis, que foram perpetrados com impunidade”, afirmou Pillay.

“Reitero o meu apelo ao Governo da Síria para conceder à Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria completo e livre acesso ao país para realizar investigações sobre todas as violações dos direitos humanos.”

Pillay pediu ainda que a comunidade internacional apoie o plano de seis pontos apresentado pelo Enviado Especial Conjunto da ONU e da Liga dos Países Árabes, Kofi Annan, e apelou ao governo para que coopere plenamente com a Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria (UNSMIS).

Annan está atualmente em Beirute, no Líbano, onde se reuniu com autoridades discutir a situação na Síria e seu potencial impacto sobre os países vizinhos, bem como as medidas que podem ser tomadas para evitar que o conflito se espalhe para além das fronteiras.