Chefe de Direitos Humanos da ONU condena execução de 34 pessoas em um único dia no Iraque

Navi Pillay pede que país cumpra resolução da Assembleia Geral para estabelecer moratória na aplicação da pena de morte, com perspectiva de abolir a prática.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse nesta terça-feira (24/01) estar chocada com os relatos de execução, em 19 de janeiro, de 34 pessoas – incluindo duas mulheres – após condenação por diferentes crimes no Iraque.

“Mesmo se a mais correta norma de julgamento fosse observada, esse número de execuções seria assustador para um único dia. Dada a falta de transparência nos processos judiciais, os maiores problemas sobre processos legais, imparcialidade dos julgamentos e vasta gama de crimes para os quais a pena de morte pode ser imposta no Iraque, são verdadeiramente chocantes”, afirmou.

Pillay pediu que o governo iraquiano respeite a Resolução 62/149 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que invoca os Estados-Membros da ONU a estabelecerem moratória na aplicação da pena de morte, com perspectiva de abolir a prática.

Existem 48 crimes pelos quais a pena de morte pode ser aplicada no Iraque, incluindo dano à propriedade pública. Desde 2004, acredita-se que mais de 1,2 mil pessoas foram executados após julgamento no país.