Centro de detenção tem sido uma “mancha” no histórico dos Estados Unidos, pelos últimos 14 anos. Chefe de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein espera que presos tenham julgamentos justos nos países para onde serão transferidos, caso o centro seja efetivamente fechado.

Para chefe de Direitos Humanos da ONU, prisão de Guantánamo é mancha no histórico e na reputação dos Estados Unidos. Foto: WikiCommons (CC) / Kathleen T. Rhem
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, elogiou o plano, anunciado nesta terça-feira (23) pelo presidente norte-americano Barack Obama, para fechar o centro de detenção da baía de Guantánamo, localizado em território norte-americano em Cuba. A estratégia, já apresentada por Obama ao Congresso dos Estados Unidos, prevê a transferência de 30 a 60 presos para o território do país. Os outros 91 detidos poderão ser realocados em outras nações.
De acordo com Al Hussein, Guantánamo tem sido, pelos últimos 14 anos, uma mancha no histórico e na reputação dos Estados Unidos, no que diz respeito aos direitos humanos. O dirigente das Nações Unidas espera que “mais nenhum obstáculo seja colocado no caminho de sua implementação (do plano de Obama)”. Entre os estados norte-americanos cogitados para receber parte da população carcerária da prisão estão o Colorado, Kansas e a Carolina do Sul.
“Todos os detidos de Guantánamo devem ser transferidos para centros de detenção regulares nos Estados Unidos ou em outros países, onde julgamentos justos, diante de cortes civis, e as devidas garantias processuais possam ser oferecidos em acordo com normas e padrões internacionais”, disse o alto comissário. “Se houver evidências insuficientes para acusá-los com qualquer crime, eles têm que ser libertados para seu país de origem ou para um terceiro país, caso corram risco de perseguição em sua pátria.”
O chefe de Direitos Humanos também lembrou que Guantánamo já foi citada por governos repressivos como uma justificativa para suas próprias ações. Segundo Al Hussein, a implementação do plano proposto por Obama não pode deixar nenhum preso em situação de detenção indefinida, sem acusação ou julgamento.