‘Depois de anos de luta e de muitos contratempos no caminho para a justiça, esse veredicto é tão histórico como foi duramente conquistado. Espero sinceramente que as vítimas de Habré finalmente experimentem alguma sensação de alívio’, disse Zeid Ra’ad Al Hussein.
‘Na sequência de condenações anteriores de outros tribunais, como a do ex-presidente da Libéria Charles Taylor e do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic, a condenação e sentença de Hissène Habré mostra que mesmo os chefes de Estado e outros líderes que cometem crimes terríveis acabarão sendo responsabilizados’, destacou.

Zeid Ra’ad Al-Hussein, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos parabenizou, no último dia 30, o tribunal especial no Senegal pelo veredicto “histórico” da condenação do ex-presidente chadiano Hissène Habré (1982-1990), responsável por crimes contra a humanidade, execuções sumárias, tortura e estupro.
“Depois de anos de luta e de muitos contratempos no caminho para a justiça, esse veredicto é tão histórico como foi duramente conquistado. Espero sinceramente que as vítimas de Habré finalmente experimentem alguma sensação de alívio”, disse o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein.
Segundo Zeid, “em um mundo marcado por um fluxo constante de atrocidades”, as ramificações desta sentença são globais. Enquanto o veredicto for objeto de recurso, ele envia uma mensagem clara para os responsáveis por graves violações dos direitos humanos em todo o mundo. De acordo com Zeid, ninguém está acima da lei. Todos, um dia, também podem enfrentar a justiça por seus crimes.
“Na sequência de condenações anteriores de outros tribunais, como a do ex-presidente da Libéria Charles Taylor e do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic, a condenação e sentença de Hissène Habré mostra que mesmo os chefes de Estado e outros líderes que cometem crimes terríveis acabarão sendo responsabilizados”, ressaltou.
Para Zeid, o acordo inovador entre o Senegal e a União Africana, que permitiu que o caso fosse à frente, é um excelente exemplo de liderança regional e de vontade de lutar contra a impunidade para crimes internacionais.
“Temos apoiado ativamente os esforços de prestação de contas no Senegal e no Chade ao longo dos últimos anos, bem como acompanhado o julgamento de Habré. Vamos continuar a oferecer apoio à busca por justiça para as vítimas de violações dos direitos humanos em todo o mundo”, concluiu.
Hissène Habré foi condenado à prisão perpétua.