Há relatos de tortura, recrutamento de crianças-soldado, estupros e sequestros. Para Navi Pillay, situação que beira a anarquia não pode continuar.

Pessoas deslocadas na República Centro-Africana por causa da violência. Foto: OCHA/Laura Fultang
A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu na terça-feira (16) uma ação para impedir atos ilegais e graves violações a civis na República Centro-Africana (RCA). Há relatos de tortura, recrutamento de crianças-soldado, estupros e sequestros.
“O estado atual de ilegalidade, beirando a anarquia, não pode continuar. O Estado de Direito deve ser restaurado e os autores desses abusos, responsabilizados”, disse a Chefe de Direitos Humanos da ONU. “Aqueles que realizaram crimes graves e especialmente seus líderes devem ter em mente que eles responderão individualmente por seus crimes”, acrescentou Pillay.
Desde que a coalizão rebelde Séléka lançou uma ofensiva em dezembro, 1,2 milhão de pessoas foram privadas de serviços essenciais e a violação dos direitos humanos tem sido generalizada. Pelo menos 4,1 milhões de pessoas, quase 50% dos quais são crianças, foram diretamente afetadas pela crise e mais de 37 mil já fugiram do país nos últimos quatro meses por causa da violência.
Segundo Pillay, vários grupos também foram acusados de extorsão e saques em propriedades públicas, incluindo hospitais, centros de saúde e escritórios de ajuda. “O saque extenso de escritórios de agências de ajuda humanitária e armazéns, e a interrupção de ajuda humanitária vital, são totalmente inaceitáveis e estão tendo um impacto devastador sobre as vidas de centenas de milhares de civis”, afirmou.
A Alta Comissária apelou pela garantia da implementação efetiva dos Acordos de Paz de Libreville e por um sério esforço conjunto para acabar com a insegurança e a violência na RCA. Os acordos assinados em 11 de janeiro no Gabão chamam a atenção para a criação de um Conselho Nacional de Transição para eleger um governo de transição no país.