Zeid Ra’ad Al Hussein criticou duramente o artigo publicado no The Sun que chamou os migrantes de “baratas” e que defendeu o uso de armas para frear sua tentativa de chegar à Europa.

Artigo é apenas um dos exemplos de publicações contra estrangeiros que aparecem nos tablóides britânicos. Foto: Flickr/Kim Paulin (CC)
Depois de décadas de “abuso contínuo e desenfreado contra os estrangeiros”, e após a publicação recente artigo no jornal The Sun chamando os migrantes de “baratas”, o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu nesta sexta-feira (24) às autoridades britânicas e meios de comunicação para tomar medidas para frear o incitamento ao ódio nos tabloides, em conformidade com as obrigações do país com o direito nacional e internacional.
O referido artigo do The Sun, publicado em 17 de abril, abriu o texto com as palavras “mostre-me fotos de caixões, mostre-me fotos cadáveres flutuando na água, toquem violinos e mostra-me pessoas magras com ar de tristeza. Mesmo assim, não me importo”.
O colunista defendeu o uso de armas para frear os migrantes e afirmou que “fazer furos na parte inferior de qualquer coisa suspeita que pareça com uma embarcação seria uma boa ideia”.
Zeid pediu que os países europeus assumam uma posição mais firme sobre o racismo nos países europeus, que “sob o pretexto da liberdade de expressão, estão sendo autorizados a alimentar um círculo vicioso de difamação, intolerância e politização dos migrantes, bem como das minorias europeias marginalizadas”, segundo ele.
O alto comissário observou que este artigo é apenas um dos mais extremos exemplos de outros milhares de artigos contra os estrangeiros publicados nos tabloides britânicos nas últimas duas décadas. Requerentes de asilo e migrantes têm sido vinculados a estupros, assassinatos, doenças, roubos e quase todas as formas de crime nas manchetes, capas e até mesmo nas editoria de esporte dos tabloides no Reino Unido.
“Muitas dessas histórias foram grosseiramente distorcidas e muitas completamente fabricadas. Em outros lugares da Europa, bem como em outros países, há um processo similar de demonização acontecendo, mas normalmente liderado por partidos políticos ou demagogos em vez da mídia extremista”, concluiu.