Chefe de direitos humanos da ONU pede libertação de civis sequestrados no Sudão do Sul

A alta-comissária das Nações Unidas para os direitos humanos pediu nesta quinta-feira (18) a libertação imediata de centenas de civis sequestrados por forças da oposição durante confrontos na região de Equatória Ocidental, no Sudão do Sul.

O pedido da alta-comissária segue a publicação de um relatório da ONU sobre graves abusos de direitos humanos cometidos contra moradores de vilarejos nos estados sudaneses de Gbdue e Tambura, na mesma região do país.

Pessoas deslocadas, líderes comunitários e autoridades locais durante encontro na Equatória Ocidental com uma delegação da ONU e de agências humanitárias em 12 de julho de 2018. Foto: UNMISS

Pessoas deslocadas, líderes comunitários e autoridades locais durante encontro na Equatória Ocidental com uma delegação da ONU e de agências humanitárias em 12 de julho de 2018. Foto: UNMISS

Centenas de civis que foram sequestrados por forças da oposição em meio a um aumento dos confrontos na região de Equatória Ocidental, no Sudão do Sul, ainda estão desaparecidos, disse nesta quinta-feira (18) a alta-comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Michelle Bachelet, exigindo libertação imediata.

Segundo relatos, o agravamento aconteceu em abril, antes da assinatura em agosto de um novo acordo de paz com objetivo de encerrar anos de uma sangrenta guerra civil envolvendo o presidente Salva Kiir e o ex-vice-presidente Riek Machar, que tem apoio do Movimento de Libertação do Povo do Sudão em Oposição (SPLM-IO).

“A maior parte dos civis sequestrados está, até onde sabemos, sendo mantida em cativeiro”, disse Bachelet. “O SPLM-O deve imediatamente libertá-los, em primeiro lugar as crianças”.

O pedido da alta-comissária segue a publicação de um relatório da ONU sobre graves abusos de direitos humanos contra moradores de vilarejos nos estados sudaneses de Gbdue e Tambura, ambos na região de Equatória Ocidental.

O relatório detalha declarações de vítimas e testemunhas que indicavam como mulheres e garotas, de até mesmo 12 anos, eram sequestradas por forças da oposição e obrigadas a desfilar e ficar em fila para que comandantes as escolhessem como “esposas”.

Cerca de 900 pessoas foram sequestradas e 24 mil foram forçadas a fugir de suas casas, destaca o relatório. As que não eram escolhidas eram deixadas para outros combatentes, que as sujeitavam a repetidos estupros, enquanto homens e meninos sequestrados eram forçados a lutar ou trabalhar como carregadores.

Ao menos 28 vilarejos foram atacados pelas mesmas tropas, além de um assentamento para pessoas deslocadas internamente e um campo de refugiados, de acordo com o relatório, que foi compilado pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e pela missão de paz da ONU no Sudão do Sul, UNMISS.

Durante estes ataques, as vítimas eram submetidas a “assassinatos ilegais, sequestros, estupros, escravidão sexual, recrutamento forçado e destruição de propriedades”, informou o ACNUDH em comunicado, que destacava que três comandantes que foram identificados porque “supostamente possuíam comando e controle de fato das forças cometendo estes abusos, que podem equivaler a crimes de guerra”.

Forças do governo também feriram civis em suas ofensivas contra milícias, segundo o relatório, destacando que “estas operações fracassaram em distinguir civis e combatentes”.

O chefe da UNMISS, David Shearer, expressou decepção com o agravamento da violência, que aconteceu enquanto partes rivais negociavam um novo acordo de paz, mesmo com esforços de reconciliação na região à época.

“Um novo acordo de paz que foi assinado coloca o ônus e responsabilidade nos partidos rivais para garantir que nenhuma atrocidade seja cometida no futuro”, disse Shearer. “A UNMISS irá monitorar atentamente quaisquer possíveis violações e abusos”.

Além de pedir a libertação dos sequestrados durante os ataques em Gbudue e Tambura, a alta-comissária pediu que abusadores de direitos humanos sejam responsabilizados.

“Como parte do processo de paz revitalizado, também é essencial que o governo do Sudão do Sul responsabilize os autores dos abusos e das violações detalhados neste relatório”, disse.