Vários ataques a bomba deixaram um total de 86 pessoas mortas nas últimas três semanas. No mais recente episódio, um carro-bomba explodiu nesta semana e matou 37 pessoas na capital do país.

Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
O principal funcionário de direitos humanos das Nações Unidas apelou nesta sexta-feira (9) por mais atenção internacional para o Iêmen e a situação dos iemenitas, em meio ao aprofundamento da insegurança e da violência “absolutamente intolerável” no país que continuam a causar um efeito terrível sobre os civis.
“Talvez por causa da violência engolindo tantos outros países, relativamente pouca atenção está sendo dada à situação no Iêmen”, disse o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein. “Temos visto nas últimas semanas dezenas de pessoas mortas em uma sucessão de ataques a bomba no país. Tais atos arbitrários de violência indiscriminada são absolutamente deploráveis.”
Apesar da formação de um novo governo no último dia 7 de novembro, com o objetivo de acabar com um período de turbulência política e promover uma transição completa para a democracia, o Iêmen continua a ser atormentado pela violência.
Vários ataques a bomba deixaram um total de 86 pessoas mortas nas últimas três semanas. No mais recente episódio, um carro-bomba explodiu do lado de fora de uma academia da polícia na capital, Sanaa, matando 37 pessoas e ferindo dezenas outras.
“O que será que alguém ganha ao massacrar civis, e especialmente crianças, desta forma?”, disse Zeid. “Peço a todas as partes no Iêmen que renunciem ao uso da violência para evitar mais perda de vidas inocentes e tomem medidas concretas para a implementação imediata e efetiva do acordo de paz e de parceria.”
Zeid também exortou as forças de segurança iemenitas a garantir que se faça uso de força proporcional ao responder aos incidentes, em meio a relatos de que estas forças causaram a morte de civis, incluindo um incidente em dezembro, onde munição real foi disparada para dispersar manifestações.
“Não obstante a difícil situação que enfrentam, é essencial que o pessoal de segurança do governo suspenda o uso de força excessiva que resulta em mortes de civis”, disse Zeid. “As violações do direito internacional dos direitos humanos por todas as partes devem ser investigadas imediatamente, de forma independente e efetivamente para levar os criminosos à justiça e assegurar que o direito das vítimas à justiça e à reparação seja mantido.”