“O combate contra o terror é uma luta para defender os valores da democracia e dos direitos humanos – não para miná-los”, declarou o alto comissário da ONU para os direitos humanos.
O alto comissário para direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, alertou nesta quinta-feira (5) sobre o perigo real de formadores de opinião e tomadores de decisão “perderem a compreensão sobre os valores construídos pelos Estados há 70 anos para proteger o mundo dos horrores da guerra”.
Zeid demonstrou sua preocupação com a maré crescente do extremismo violento e intolerância que penetra o espectro da sociedade global. Para ele, o mundo pode estar em um ponto de virada e cobrou dos Estados-Membros compromisso com os princípios dos direitos humanos na luta contra o radicalismo.
“O combate contra o terror é uma luta para defender os valores da democracia e dos direitos humanos – não para miná-los”, declarou Zeid. “As operações contra terroristas que são desproporcionais, não específicas, brutais e inadequadamente supervisionadas violam às próprias normas que buscamos defender. Elas também arriscam dar aos terroristas ferramentas para propaganda, fazendo, dessa forma, com que nossa sociedade não seja nem livre nem segura.”
Além das operações de combate, o alto comissário mostrou sua preocupação com a tendência dos Estados de reprimir vários direitos humanos básicos, inclusive na adoção de medidas que restringem a liberdade de expressão, na limitação do espaço democrático e na retomada por vários países da pena de morte.
O chefe de direitos humanos da ONU também disse estar estarrecido com “a crescente onda de ataques” ao redor do mundo tendo pessoas como alvo por conta das suas crenças.
“Atos tão horríveis de ódio racial e religioso”, se estenderam a países do Noroeste Europeu e da América do Norte, onde “políticas injustas, insultos diários e exclusão” afetam grande parcela da população. Citou como exemplo os “tentáculos do movimento extremista takfiri” – uma ideologia em que muçulmanos excomungam outros da mesma religião – que alcançou uma grande variedade de países, do Iraque e Síria à Nigéria, Iêmen, Líbia e Somália.
