“O país já é um gigante cemitério devastado”, disse o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, em comunicado emitido por seu escritório. “O número de crimes de guerra cometidos supera os piores pesadelos. Mas cabe tanto às forças que atacam como às que defendem — e seus apoiadores internacionais — minimizar mais mortes entre civis e evitar mais crimes e atrocidades”, completou.

Destruição no bairro de Salah Ed Din em Alepo, na Síria. Foto: Josephine Guerrero/OCHA
O chefe de direitos humanos das Nações Unidas pediu nesta sexta-feira (15) que as forças que avançam em Alepo e duas outras cidades na Síria não prejudiquem centenas de milhares de civis rodeados por conflitos entre forças do governo e da oposição.
“O país já é um gigante cemitério devastado”, disse o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, em comunicado emitido por seu escritório. “O número de crimes de guerra já cometidos supera os piores pesadelos. Mas cabe tanto às forças que atacam como às que defendem — e seus apoiadores internacionais — minimizar mais mortes entre civis e evitar mais crimes e atrocidades”, completou.
Ele acrescentou que mesmo que as forças “tenham se tornado tão brutalizadas que não se importam com mulheres inocentes, crianças e homens cujas vidas estão em suas mãos, precisam ter em mente que um dia haverá um acerto de contas para todos esses crimes”.
Enquanto números exatos são extremamente difíceis de estabelecer, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) disse que havia ao menos 150 mil civis que estão agora totalmente isolados em algumas partes de Alepo controladas pela oposição.
“Estamos profundamente preocupados com o que vai acontecer com eles enquanto o conflito se aproxima e se intensifica, e suprimentos mínimos de comida, água e medicamentos estão acabando”, disse Zeid.
Enquanto forças do governo e seus aliados avançam na parte da cidade retida pelas forças de oposição, grupos armados aumentaram os bombardeios de áreas comandadas pelo governo em Alepo.
Zeid acrescentou que o ACNUDH recebeu informações de que diversos civis, incluindo mulheres e crianças, foram mortos e ficaram feridos por ataques aéreos e por terra, assim como por minas terrestres instaladas pelo grupo autodenominado Estado Islâmico.
“Civis tem sido mortos se tentam deixar suas casas para fugir”, disse Zeid. “Famílias não estão conseguindo acessar cemitérios locais para enterrar seus parentes assassinados, e os estão enterrando em seus próprios jardins ou mantendo corpos em bunkers. A cidade não tem eletricidade ou água no momento, e nenhuma instalação médica está operando”.