Após uma visita de quatro dias à República Centro-Africana, Hervé Ladsous disse que sete membros da força de paz foram repatriados e nove suspensos de salário até a conclusão da investigação.

Membro da força de paz de Marrocos servindo com a Missão Multidimensional Integrada de Estabilização na República Centro-Africana em Bambari. Foto: ONU/Catianne Tijerina
Após os relatos de abusos sexuais pelas tropas da ONU na República Centro-Africana, o chefe do Departamento de Operações de Paz da ONU, Hervé Ladsous, anunciou, nesta sexta-feira (11), que sete integrantes foram repatriados e outros nove receberam suspensão de salários.
“Desde o inicio da missão no ano passado, houve 63 alegações de possíveis desvios de conduta”, disse o subsecretário-geral para as Operações de Paz, em uma coletiva de imprensa, após sua visita de quatro dias à República Centro-Africana. “Das 63 alegações, 15 são relacionadas a possíveis casos de exploração sexual e abuso e a maioria está sob investigação.”
Autoridades dos países que enviaram os integrantes das tropas de paz estão realizando investigações sobre as acusações envolvendo seus compatriotas, e enquanto estão em curso, a ONU decidiu suspender o salário do nove membros supostamente implicados.
Ladsous mencionou que em breve a sede das Nações Unidas receberá os países que contribuem tropas e policiais em um encontro onde o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, traçará as prioridades que devem ser alcançadas para corrigir esses desvios. Entre os 40 temas propostos estará a possibilidade de mencionar os países envolvidos nos abusos. “Não estou falando sobre identificar e envergonhar – envergonhar é outra questão – mas identificar porque, obviamente, é preciso conhecer quem é o responsável”, disse.
Insistindo que nada justifica a má conduta, Ladsous mencionou as condições difíceis em que os integrantes da força de paz da ONU vivem, especialmente em algumas províncias da República Centro-Africana. Segundo ele, alguns chegaram ao país com a União Africana, antes mesmo do início do mandato da missão da ONU, e já estavam há 18 ou 24 meses sem descanso. “Damos aos Estados-membros o dinheiro relacionado ao bem-estar, mas não estamos seguros, em muitos casos, se os soldados veem a cor dele.”