Para António Guterres, a “atenção da mídia e os debates políticos estão focados no Oriente Médio e na Ucrânia”, acrescentando que “quase não se fala no continente africano e há pouco debate sobre a ação internacional na África”.
Para António Guterres, a “atenção da mídia e os debates políticos estão focados no Oriente Médio e na Ucrânia”, acrescentando que “quase não se fala no continente africano e há pouco debate sobre a ação internacional na África”.

Refugiados do Sudão do Sul chegam à região de Gambella, na Etiópia. Foto: ACNUR / LF Godinho
O chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) chamou a atenção da comunidade internacional nesta segunda-feira (29) para os riscos da negligência na crise humanitária na África, pedindo um engajamento para prevenir mais conflitos e acabar com os deslocamentos prolongados.
O Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, disse que “com mais de 3 milhões de refugiados, 12,5 milhões de deslocados internos e cerca de 700 mil pessoas sem pátria na África, o continente é um grande desafio em termos de capacidade e necessidades financeiras para o ACNUR”.
Ele disse aos delegados na reunião de alto nível sobre os refugiados na África que uma série de novos conflitos na República Centro-Africana, norte da Nigéria, Líbia e Sudão do Sul fizeram com que, somente no primeiro semestre de 2014, mais de 2,5 milhões de pessoas se deslocassem.
“Como a comunidade internacional está sobrecarregada com o aumento excessivo do deslocamento forçado global e a atenção da mídia está focada em outros lugares, a África sofre desproporcionalmente mais do que outras regiões”, disse Guterres.
Ele lamentou “o duplo padrão que marca a forma como o mundo vê as crises humanitárias hoje”, afirmando que a “atenção da mídia e os debates políticos estão focados no Oriente Médio e na Ucrânia”. Guterres acrescentou: “Quase não se fala no continente africano e há pouco debate sobre a ação internacional na África”.
Ele chamou isso de “falta de interesse imprudente”, observando que existe uma ligação clara entre os eventos de hoje em países como o Mali, Nigéria, Líbia e Somália e o que acontece na Síria, Iraque, Iêmen ou no Afeganistão.
O alto comissário também elogiou as comunidades africanas por sua solidariedade para com os refugiados. Muitos países vizinhos às regiões de conflito têm mantido suas fronteiras abertas, permitindo que as pessoas que fogem da guerra em busca de segurança entrem em seus territórios.
Apesar dos elogios, Guterres também destacou alguns desafios, como a insegurança e a proteção aos refugiados de movimentos migratórios mistos, e pediu determinação e engajamento internacional para evitar conflitos e deslocamentos forçados. “É necessário mais apoio aos esforços de mediação e estabilização regional”, destacou.
“Uma coisa é clara”, disse ele. “Na ausência de vontade política e visão necessária para a prevenção eficaz, tudo o que a comunidade internacional pode fazer é reagir a novas crises, lamentar o sofrimento que causam e tentar chegar a quantias mais elevadas para cobrir os custos decorrentes.”
“Se o mundo continuar ignorando isso, ameaças de insegurança chegarão à porta de todos. Isto não é só uma questão de solidariedade internacional e compromisso humano, é uma questão de paz e segurança para todos”, declarou.