“Se uma solução para o conflito não for encontrada, esta crise não vai acabar e vamos continuar, ano após ano, pedindo à comunidade internacional grandes quantias de dinheiro para apoiar os refugiados que não vão querer voltar até que haja paz”, disse o alto comissário da ONU para os refugiados.

Chefe da agência da ONU para refugiados pede foco na crise síria durante sua visita a Jordânia. Foto: ACNUR/C. Herwig
A comunidade internacional precisa aumentar os esforços para acabar com o conflito na Síria ou correrá o risco de prolongar a maior crise humanitária do mundo por muitos anos, disse o alto comissário da ONU para os refugiados, Filippo Grandi, nesta segunda-feira (18).
Em sua visita ao campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, três semanas após assumir o cargo de alto comissário, Grandi disse ter escolhido a região como destino de sua primeira viagem ao exterior como chefe do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) visando chamar a atenção das pessoas para buscar soluções ao conflito sírio que já dura quase cinco anos.
Ele afirmou que é essencial que a comunidade internacional e todos os atores, que têm influência sobre as partes em conflito, e as partes envolvidas no conflito, sobretudo, empreendam um maior esforço para a paz.
“Se uma solução para o conflito não for encontrada, esta crise não vai acabar e vamos continuar, ano após ano, pedindo à comunidade internacional grandes quantias de dinheiro para apoiar os refugiados que não vão querer voltar até que haja paz”.
A Jordânia está atualmente hospedando mais de 630 mil refugiados sírios, isso tem impactado nos recursos naturais, influenciado na infraestrutura e vem sobrecarregando a economia do reino árabe. Enquanto quase 110 mil sírios vivem atualmente nos campos de Zaatari e Azraq, a grande maioria está lutando para sobreviver em vilas e cidades por toda a Jordânia.
Mencionando a difícil situação de aproximadamente 17 mil sírios, que estão atualmente acampados perto da fronteira ao nordeste do país, Grandi disse que reconhece a preocupação com as questões de segurança e prometeu ajuda do ACNUR à Jordânia na triagem de migrantes, a fim de permitir àqueles que precisam de proteção internacional possam entrar no país.
A visita do alto comissário, que inclui paradas na Turquia e no Líbano, marca o retorno para o Oriente Médio após ter servido como comissário-geral da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), de 2010 para 2014.