Representante do UNFPA no Brasil elogia atuação do governo na saúde

Para o Representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil (UNFPA), Harold Robinson, o país está em um “processo de franco desenvolvimento” em questões de saúde pública.

Para o Representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil (UNFPA), Harold Robinson, o país está em um “processo de franco desenvolvimento” em questões de saúde pública.

Ele elogia os esforços brasileiros para ampliar o acesso aos serviços integrais em questões de mortalidade materna, educação sexual e combate ao HIV. Confira a entrevista concedida ao próprio UNFPA sobre o tema.

Por que o debate sobre saúde é tão importante para a agenda do desenvolvimento?

Harold Robinson – O principal indicador de desenvolvimento humano é a expectativa de vida. Este indicador leva em consideração, entre outros, os aspectos relacionados às condições de saúde da população. O desenvolvimento é avaliado analisando várias dimensões – econômica, ambiental, social, cultural, humana (individual e coletiva). Se a saúde é um bem global, um direito fundamental, é também um fator essencial para o desenvolvimento.

Podemos dizer que as condições de saúde revelam o nível de desenvolvimento de uma dada população, por isso esse tema é central para quem tem como missão promover o desenvolvimento.

Quais são os principais indicadores de saúde que fazem relação direta com o desenvolvimento de um país ou uma nação?

Harold Robinson – São, sem dúvida, aqueles elencados como metas para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM): as mortes de mulheres por complicações na gravidez, no parto ou no pós-parto, os casos de aids, malária e tuberculose. Mas também é importante ressaltar a relação dessas doenças e agravos à expectativa de vida, que é um indicador primário. Nos próximos vinte anos, provavelmente, serão as doenças crônicas, como câncer, a hipertensão arterial, o diabetes.

Mas hoje a relação passa, sobretudo, pela morte materna, pelas mortes por AIDS, tuberculose, pelo aborto inseguro e em decorrência da violência.

No caso da violência, o impacto é mais fortemente observado na redução da expectativa de vida dos homens, especialmente homens negros. No caso das mortes por aborto inseguro, também se observa um peso maior para as mulheres jovens e para as mulheres negras.

O Brasil está em um processo de franco desenvolvimento, tem um Sistema Único de Saúde, mas os desafios ainda são grandes.

Como o UNFPA tem se inserido neste debate e como tem colaborado?

Harold Robinson – O Brasil é um país de renda média que está trabalhando muito para alcançar as metas pactuadas na Declaração do Milênio. São nítidos os esforços para ampliar o acesso aos serviços de saúde integral e às ações em saúde sexual e reprodutiva, para fortalecer as ações de educação em sexualidade, para reduzir a disseminação do HIV e as mortes maternas.

Em nível federal, temos atuado em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, mas sabemos que o país é heterogêneo e que as desigualdades são muito expressivas. Temos atuado contribuindo para a capilarização das diretrizes nacionais e a operacionalização das políticas nas localidades. O trabalho que realizamos em parceria com a Prefeitura do Município de Salvador, com o governo do Estado da Bahia e outros são bons exemplos.

Queremos contribuir para reduzir as desigualdades e para que o desenvolvimento seja sustentável e equânime. Além disso, temos contribuído para o intercâmbio de experiências do Brasil com outros países, sobretudo do hemisfério sul, bem como para a disseminação de boas práticas tanto do governo quanto da sociedade civil − modalidade de cooperação que chamamos de cooperação Sul−Sul.