Região sofreu três grandes secas em menos de uma década. Mais de 11 milhões de pessoas estão em risco de fome.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim (no monitor), informam à imprensa sobre visita à região do Sahel. Foto: ONU/Paulo Filgueiras
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, anunciaram nesta sexta-feira (1) uma viagem conjunta ao Sahel, na semana que vem, para tratar de questões urgentes da região africana afetada pela pobreza, pela insegurança alimentar e pelos conflitos.
“O Sahel é um dos lugares mais pobres e frágeis do planeta”, lembrou Ban em uma coletiva de imprensa conjunta, em Nova York. “Nós vamos juntos para ouvir e agir. Estamos convencidos de que o ciclo de crises no Sahel pode ser quebrado. A região pode passar da fragilidade para a sustentabilidade.”
No início do ano Ban e Kim já haviam feito uma visita conjunta à região dos Grandes Lagos da África, em apoio a um novo quadro de paz acordado por líderes locais. Foi a primeira visita conjunta de um secretário-geral da ONU e um presidente do Banco Mundial. A nova viagem busca desenvolver esforços conjuntos, promover o apoio internacional e destacar os desafios atualmente enfrentados pelo Sahel.
“Nossa mensagem é que a paz e o desenvolvimento devem andar de mãos dadas”, disse Ban. “Nesta época no ano passado, o Mali estava em crise. Desde então, nossos esforços coletivos têm ajudado não só a melhorar a situação política e de segurança no Mali, mas também resolver alguns dos desafios mais amplos na região do Sahel. O momento é propício para consolidar os ganhos.”
O Sahel sofreu três grandes secas em menos de uma década. Mais de 11 milhões de pessoas estão em risco de fome e 5 milhões de crianças menores de cinco anos estão em risco de desnutrição aguda. Além disso, a instabilidade política e as mudanças inconstitucionais de governos produziram consequências econômicas e sociais na região, assim como atos terroristas e o crime organizado têm ameaçado a estabilidade dos países.
“Esses desafios não podem ser superados por qualquer governo ou organização sozinha”, disse Ban. “As questões estão conectadas e precisamos de uma abordagem que vincule nossos esforços.”