Em discurso no encontro anual do Comitê Executivo da agência da ONU para refugiados (ACNUR), líderes das Nações Unidas solicitam que os países transcendam os interesses nacionais para diminuir o sofrimento das pessoas deslocadas de forma forçada.
No último ano, o número de pessoas forçadas a se deslocar em todo o mundo atingiu o maior nível desde que o ACNUR começou a fazer esse tipo de registro – mais de 65 milhões de pessoas. Além dos 21,3 milhões de refugiados, outras 40,8 milhões de pessoas estão deslocadas dentro de seus próprios países.

Refugiados sul-sudaneses recebem kits de socorros e aguardam instruções antes de serem encaminhados aos seus lotes de terra no Centro de Recepção Yumbe, em Uganda, em setembro de 2016. Foto: ACNUR / A. Shepherd-Smith
Em uma época de crescente deslocamento global, países devem transcender seus interesses nacionais e se unir para reduzir o sofrimento das pessoas que foram forçadas a se deslocar em larga escala, declararam o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi.
Em discurso realizado no encontro anual do Comitê Executivo do ACNUR em Genebra, Ban Ki-moon destacou que o número de pessoas que foram forçadas a se deslocar dobrou – para 65 milhões – desde que ele assumiu seu mandato há uma década.
“Os números são desconcertantes. Cada um deles representa uma vida humana. Mas não se trata de uma crise de números. É uma crise de solidariedade”, disse Ban para uma audiência de representantes de 98 países que compareceram ao Comitê da agência da ONU.
“Precisamos urgentemente que os países transcendam seus interesses nacionais e se unam para uma resposta decisiva e global”, afirmou.
O alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, descreveu um panorama brutal no qual “as pessoas estão se movendo mais rapidamente, percorrendo distâncias mais longas e por uma complexa teia de razões do que em qualquer outro momento da história”.
Dando destaque à situação dos refugiados vítimas dos conflitos na Síria e no Sudão do Sul, ele observou que a proximidade com a guerra pareceu ser o principal fator sobre como a responsabilidade de apoiar os refugiados deve ser compartilhada: “Nove a cada dez refugiados foram acolhidos por países em desenvolvimento: o impacto nestes Estados e comunidades é enorme”.
Chefe de Proteção do ACNUR: solidariedade é essencial para proteger refugiados
Com cada vez mais pessoas em todo o mundo sendo forçadas a deixar seus países de origem devido a guerras e violência, o chefe de Proteção Internacional do ACNUR, Volker Türk, pediu a renovação do espírito de multilateralismo para que seja possível oferecer proteção de forma mais efetiva aos refugiados e reduzir a xenofobia.
Em seu discurso na reunião anual do Comitê Executivo, Türk descreveu um panorama dramático no qual os “monstros” da guerra e das violações de direitos levaram ao número recorde de 65,3 milhões de pessoas a deixar as suas casas em todo o mundo.
“Os monstros dos dias de hoje são certamente os horrores dos intensos conflitos, e violações aos direitos humanos, que forçam as pessoas a deixar seus países ano após ano”, disse.
Ele observou que frequentemente o “deslocamento sem soluções à vista” tem se tornado a realidade diária de homens, mulheres e crianças que são forçados a fugir de países como Síria, Afeganistão, Sudão do Sul, ou Iraque.
Como conflitos e perseguições geram deslocamentos em todo o mundo, Türk enfatizou a necessidade de uma maior solidariedade internacional para oferecer proteção de forma mais eficaz para aqueles que foram forçados a deixar seus lares e, no caso dos 21,3 milhões de refugiados, atravessar fronteiras internacionais.
“A solidariedade é essencial para o funcionamento eficaz do regime de proteção internacional”, disse no fórum realizado no Palácio das Nações, na última quarta-feira (5).
“A solidariedade é o valor fundamental por trás de qualquer forma de cooperação internacional e é uma parte crucial de acordos entre as nações, sejam estas grandes ou pequenas, e independente dos recursos que tenham à sua disposição”, acrescentou.
No último ano, o número de pessoas forçadas a se deslocar em todo o mundo atingiu o maior nível desde que o ACNUR começou a fazer esse tipo de registro. Além dos 21,3 milhões de refugiados, eles incluem 40,8 milhões de pessoas deslocadas dentro de seus próprios países, classificados como “deslocados internos”.
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