Líderes políticos do Oriente Médio criticam inabilidade de órgão da ONU para lidar com situação no país, afirmando que inação é incentivo a regimes agressivos.

Líderes da região alertam para o crescente número de sírios que tentam atravessar a fronteira em busca de abrigo. Na imagem, sírios chegam ao Iraque. Foto: ACNUR/G. Gubaeva
Ao discursarem na tribuna da ONU durante o debate geral desta semana em Nova York, chefes de Estado e de Governo do Líbano, Jordânia, Catar e Turquia demonstraram insatisfação com a inabilidade do Conselho de Segurança da ONU em acabar com a guerra na Síria.
Eles participam da 68ª sessão da Assembleia Geral da ONU com outras 189 lideranças, reunidas para discutir temas como o desenvolvimento sustentável, erradicação da pobreza, mudança climáticas, diretos humanos, paz e segurança.
O presidente libanês, Michel Sleiman, pediu na terça-feira (24) que os Estados-membros da ONU aumentem a sua assistência às centenas de milhares de sírios que fugiram da crise em seu país e instou uma solução política para acabar com o conflito.
Sleiman afirmou que a crise de refugiados na Síria é “o maior e mais urgente desafio” para o Líbano, acrescentando que os recursos do seu país já ultrapassaram as suas capacidades, com mais de um quarto da população libanesa agora sendo composta por refugiados sírios.
O representante do Catar, xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, afirmou que o fato de os responsáveis pelos crimes brutais e massacres na Síria “que chocaram toda a consciência humana” continuarem desfrutando da impunidade coloca em cheque “a credibilidade dos direitos humanos e o mecanismo jurídico da comunidade internacional”.
Já o rei Abdullah II, da Jordânia, disse que está na hora de acelerar a transição política na Síria para acabar com o derramamento de sangue, neutralizar a ameaça de armas químicas, restaurar a segurança e estabilidade, preservar a unidade e a integridade territorial do país e envolver todos os sírios na construção de sua futura nação.
Ele observou que o fluxo de refugiados em seu país já é igual a um décimo da população jordaniana, podendo chegar a até 1 milhão – ou 20% da população. “Estes não são apenas números, são pessoas que precisam de comida, água, abrigo, saneamento, energia elétrica, saúde, e muito mais.”
Abdullah II também chamou atenção para a ‘crise núcleo’ no Oriente Médio, – o conflito palestino-israelense – afirmando que a comunidade internacional deve trabalhar em conjunto para uma resolução rápida desta guerra que “consome recursos necessários para construir um futuro melhor e alimenta as chamas do extremismo em todo o mundo”.
O líder jordano acrescentou que “a cada país que é mais próspero e livre, a cada bairro que é mais seguro, a cada pessoa que tem mais uma razão para acreditar na esperança, toda a Casa da Humanidade cresce mais segura”.
O presidente da Turquia, Abdullah Gül, ressaltou a importância da imagem “forte, eficiente e credível” das Nações Unidas para assegurar a paz e a estabilidade mundial, chamando de “desgraça” a inabilidade do Conselho de Segurança da ONU de acabar com a guerra civil na Síria e assegurar uma transição estável do regime atual, afirmando em seu discurso no debate geral que “a responsabilidade de acabar com a guerra na Síria agora cai nos ombros da comunidade internacional”.
Gül observou que o conflito sírio não começou com o ataque das armas químicas que mataram centenas de pessoas em um subúrbio de Damasco no mês passado e nem vai terminar com um acordo para eliminá-las.
Ele pediu uma parceria internacional efetiva contra o terrorismo, ressaltando que o problema só será derrotado “quando nos livrarmos das distinções do tipo ‘seu terrorista/meu terrorista’.
“Temos que perceber que a inação do Conselho de Segurança só incentiva regimes agressivos. Precisamos de uma ONU capaz de obrigar os autores de ações brutais a se submeterem à justiça e ao Estado de Direito”, afirmou o líder turco.
Neste semana, estão participando do debate geral da 68ª sessão da Assembleia Geral da ONU 193 representantes dos Estados-membros — entre chefes de Estado e de Governo, vice-primeiros-ministros e ministros –, falando sobre temas como desenvolvimento sustentável, erradicação da pobreza, mudança climática, direitos humanos, paz e segurança. O debate será encerrado no dia 1o de outubro.