“Acredito firmemente que o Chipre pode ser o símbolo da esperança no início de 2017”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres. Segundo assessor especial da ONU no país, a questão da terra é uma “grande parte do trauma” que afetou os cipriotas gregos e os cipriotas turcos desde a divisão da ilha, em 1974.

Secretário-geral da ONU, António Guterres (ao centro), com o líder cipriota turco Mustafa Akinci (à esquerda) e o líder cipriota grego Nicos Anastasiades, conversando com a imprensa no Palais des Nations. Foto: ONU / Violaine Martin
Teve início nessa quinta-feira (12), em Genebra, uma conferência apoiada pelas Nações Unidas sobre o Chipre. O encontro reúne líderes cipriotas gregos e cipriotas turcos em um diálogo presidido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
Falando em uma colativa de imprensa durante um intervalo dos diálogos, o chefe da ONU disse “é minha esperança de que haverá um avanço” que o povo do Chipre merece e o mundo precisa.
“Estamos enfrentando tantas situações de desastres. Precisamos muito de um símbolo de esperança. Acredito firmemente que o Chipre pode ser o símbolo da esperança no início de 2017”, acrescentou.
A conferência reúne também, pela primeira vez, as chamadas potências “avalizadoras” – Grécia, Turquia e Reino Unido.
Guterres elogiou a liderança “estadista” dos líderes cipriota grego Nicos Anastasiades e cipriota turco Mustafa Akinci por cerca de 20 meses durante as negociações por um Chipre unido.
O secretário-geral descreveu a sessão de abertura das conversações de hoje como “extremamente construtiva”, mas disse que “não estamos aqui para uma solução rápida”, e sim para “uma solução sólida e sustentável”.
Nesse sentido, disse Guterres, a conferência continuará durante “o tempo necessário”, acrescentou, enfatizando a necessidade de um instrumento que atenda às preocupações de segurança de ambas as comunidades.
Na quarta (11), o assessor especial da ONU no Chipre, Espen Barth Eide – que facilitou as negociações entre os dois lados antes da conferência de hoje –, disse aos repórteres: “Estamos no caminho certo, lidamos com algumas das questões mais difíceis, resolvemos muitos delas e estamos próximos de resolver alguns outros problemas”.
A questão da terra é fundamental, explicou Eide, descrevendo-a como uma “grande parte do trauma” que afetou os cipriotas gregos e os cipriotas turcos desde a divisão da ilha, em 1974.