Cidades devem ser espaços de ‘humanização’ e populações de favelas precisam ser ouvidas, diz ONU

Em balanço sobre as atividades da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável, a Habitat III, a vice-diretora do Escritório de Direitos Humanos da ONU (ACNUDH), Kate Gilmore, ressaltou que ‘não existem cidades sem pessoas e não existem pessoas sem direitos’.

Ao final de sua visita ao Equador para participar da Terceira Conferência das Nações sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável, a Habitat III, a alta-comissária adjunta do Escritório de Direitos Humanos da ONU (ACNUDH), Kate Gilmore, ressaltou na última quinta-feira (20) que cidades devem ser espaços de “humanização”.

“As mensagens principais das pessoas que vivem em favelas, de ativistas da sociedade civil, de prefeitos e defensores dos direitos humanos foram mais participação das pessoas na cidade, mais liberdade de expressão na cidade, menos discriminação contra moradores e mais responsabilização, o fortalecimento do Estado de direito e da capacidade de responder” a problemas, enfatizou a dirigente em balanço sobre o encontro.

Não existem cidades
sem pessoas.
Não existem pessoas
sem direitos.

Segundo a vice-chefe da agência das Nações Unidas, habitantes de centros urbanos vivendo em condições degradantes querem e precisam ser escutados. “Sentem e conversem conosco. Não é porque não temos terra que não temos direitos”, lembrou Gilmore sobre os apelos que ouviu em encontros com mais de 20 organizações da sociedade civil, durante a Habitat III.

A alta-comissária afirmou que populações excluídas querem ser vistas não como vítimas, mas como parceiras dos processos de urbanização e como indivíduos dotados de talento e criatividade.

“Não existem cidades sem pessoas. Não existem pessoas sem direitos”, reiterou a representante do ACNUDH, que permaneceu no país até a última quinta-feira (20), quando representantes dos países presentes no encontro adotaram a Nova Agenda Urbana.

Gilmore destacou a necessidade de garantir a responsabilização dos que ficarão encarregados da implementação dos compromissos firmados no documento.

Os objetivos acordados pelos Estados incluem a ampliação do uso de energias renováveis, a implementação de sistemas de transporte mais ecológicos e a gestão sustentável dos recursos naturais. Outras metas envolvem o fim da discriminação em espaços urbanos e o respeito aos direitos de refugiados e migrantes, bem como a igualdade oportunidades para todos.