O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) pediu uma investigação profunda das alegações de abusos cometidos pelas autoridades sírias durante a violenta repressão contra manifestantes, incluindo o uso excessivo da força contra civis, detenções arbitrárias e tortura.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) pediu uma investigação profunda das alegações de abusos cometidos pelas autoridades sírias durante a violenta repressão contra manifestantes, incluindo o uso excessivo da força contra civis, detenções arbitrárias e tortura.
“Os mais notórios relatos dizem respeito ao uso de armas de fogo contra civis desarmados, incluindo atiradores posicionados em telhados de edifícios públicos, e a implantação de tanques em áreas densamente povoadas,” afirma relatório preliminar divulgado hoje (15/06) pelo ACNUDH. “Até junho, acredita-se que o número de mortos durante esses incidentes tenha ultrapassado 1.100 pessoas, muitas delas civis desarmados, incluindo mulheres e crianças” acrescenta o documento.
As autoridades sírias têm sido amplamente criticadas pela repressão sangrenta dos protestos. Uma vez que o ACNUDH tem sido incapaz de enviar uma missão de investigação ao país, o relatório, que abrange o período entre 15 de março e 15 de junho, baseia-se em informações fornecidas por parceiros da ONU, defensores dos direitos humanos, grupos da sociedade civil, grupos de mídia e um pequeno número de vítimas e testemunhas oculares da Síria.
Além do uso de armamento, detenções arbitrárias teriam sido realizadas pelas autoridades sírias em “enorme” escala, com relatos indicando que até dez mil pessoas foram detidas desde meados de março. O relatório acrescenta que, enquanto havia mulheres e crianças entre os detidos, defensores dos direitos humanos, ativistas políticos e jornalistas têm sido os principais alvos das forças do Governo.
O ACNUDH recebeu ainda informações indicando que as forças de segurança sírias têm cometido atos de tortura e outros tratamentos cruéis e desumanos contra os detentos, em alguns casos resultando em morte. Relatos de violações dos direitos à liberdade de reunião, expressão e movimento, bem como dos direitos à alimentação e à saúde também foram recebidos.
“O material atualmente apresentado à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, é objeto de grande preocupação e reflete a terrível situação dos direitos humanos na Síria. A alegada violação dos direitos mais fundamentais em tão ampla escala exige investigação rigorosa e, com relação aos autores, sua plena responsabilização,” afirma o relatório. Pillay reiterou seu pedido ao Governo sírio para permitir o envio de uma missão de investigação do Conselho de Direitos Humanos da ONU ao país.