O último relatório sobre a situação do país revela que milhares de pessoas estão sitiadas em zonas de controle de grupos armados, sem qualquer acesso aos serviços básicos.
Com a entrada no décimo mês de conflito no leste da Ucrânia, as contínuas ofensivas e as baixas temperaturas estão colocando em risco mais de cinco milhões de pessoas, afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Husseim, nesta segunda-feira (15), durante a apresentação do último relatório sobre a situação no país.
O documento adverte sobre um “colapso da ordem pública” com as regiões no leste da Ucrânia alimentadas por um fluxo de armamento pesado e sofisticado e com a chegada de combatentes estrangeiros, principalmente provenientes da Rússia. Segundo o relatório, esse abastecimento militar tem causado um impacto direto em todos os direitos humanos fundamentais, incluindo na segurança, liberdade e bem-estar das pessoas vivendo nesta região.
As últimas cifras do Escritório da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) ilustram uma imagem implacável da realidade de milhares de pessoas. Desde a metade de abril até 12 de dezembro, ao menos 4.707 pessoas morreram e 10.322 ficaram feridas durante os combates.
Além dos danos em infraestrutura, colapso da economia e interrupção dos serviços médicos e sociais, Zeid observou que desde as eleições organizadas por grupos armados no último dia 2 de novembro em áreas sob o seu controle, milhares de cidadãos não possuem acesso a qualquer tipo de serviço básico.
Por outra parte, o relatório adiciona que os esforços do governo de proteger a integridade territorial da Ucrânia e restabelecer a ordem pública em zonas de conflito têm sido acompanhados por “detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e maus-tratos às pessoas suspeitas de separatismo ou terrorismo”.
