Coleção da UNESCO História Geral da África será lançada no Pará

O estado tem a terceira maior população negra no Brasil e abriga cerca de 240 comunidades remanescentes de quilombos. No evento será discutida também a implantação do ensino sobre história e cultura afro-brasileira na educação básica.

Coleção História Geral da ÁfricaNa próxima terça-feira, 21 de junho, o estado do Pará, terceiro maior em população negra no Brasil, recebe o lançamento da edição em português da Coleção da UNESCO História Geral da África. O evento começará às 9h no Centro de Convenções Benedito Nunes, em Belém, onde especialistas paraenses e de outros estados, estudantes, além de autoridades nacionais e locais debaterão temas como o ensino de história e cultura afro-brasileira na educação básica do estado que abriga cerca de 240 comunidades remanescentes de quilombos.

O representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny, defende a divulgação da história do continente africano no país. “Existe uma ideia errada de que a história da África começa a partir da colonização e do tráfico negreiro. Mas as contribuições do continente para a humanidade são muito maiores e muito mais antigas”, conta Defourny.

Para o professor Raimundo Jorge, do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos, é importante que a história africana seja popularizada: “O conhecimento da história da África resgata uma parte importante da história dos afro-brasileiros”, explica o cientista político.

A coleção em português, editada pela UNESCO, financiada pelo Ministério da Educação e com coordenação técnica da Universidade Federal de São Carlos e da UNESCO, contribui para a disseminação de um novo olhar sobre a cultura e a história africanas na sociedade brasileira, e também, para a transformação das relações étnico-raciais no país. Sua disponibilização em língua portuguesa integra uma estratégia para a implementação da Lei 10.639/2003, que prevê o ensino da história da África e da cultura africana e afro-brasileira nas escolas de educação básica brasileiras.

Diagnósticos realizados pela representação da UNESCO no Brasil, MEC, e organizações da sociedade civil e seus parceiros mostram que essa implementação ainda é incipiente no país, especialmente em decorrência da ausência de material pedagógico qualificado para subsidiar a formação de docentes.

Entre os especialistas presentes no debate em Belém destacam-se Kabengele Munanga, doutor em Antropologia Social e diretor do Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo; Valter Roberto Silvério, coordenador técnico da edição em português da Coleção da UNESCO História Geral da África e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de São Carlos; e Zélia Amador de Deus, doutora em Ciências Sociais, integrante do Grupo de Estudos Afro-amazônico da Universidade Federal do Pará e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros.

A iniciativa integra o programa Brasil-África: Histórias Cruzadas da UNESCO, que tem como princípio promover o conhecimento e o reconhecimento da importância da interseção da história africana com a brasileira. O objetivo é contribuir para a construção e a afirmação da identidade nacional e para a transformação das relações étnico-raciais no país. Marca, também, as comemorações do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes.

O evento no Pará é uma realização da Representação da UNESCO no Brasil e do Ministério da Educação em parceria com a Universidade Federal do Pará, com apoio do Grupo de Estudos Afro-Amazônico (GEAM/UFPA), Centro de Estudo e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA), SEDUC/PA, Casa Brasil-África (UFPA), Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), Coordenação das Comunidades Quilombolas do Estado do Pará (Malungu).

Sobre a Coleção

A Coleção História Geral da África, com quase 10 mil páginas, foi construída ao longo de 30 anos por 350 pesquisadores, coordenados por um comitê científico composto por 39 especialistas, dois terços deles africanos.

A obra conta a história da África a partir de uma visão de dentro do continente, usando uma metodologia interdisciplinar que envolve especialistas de áreas como história, antropologia, arqueologia, linguística, botânica, física, jornalismo, entre outros. Seu conteúdo permite novas perspectivas para os estudos e pesquisas a respeito da África e também para a disseminação das relações étnico-raciais no sistema de ensino brasileiro.

Os oito volumes que integram a coleção abordam o continente desde a pré-história até a década de 1980, passando pelo Egito Antigo, por diversas civilizações e dinastias, pelo tráfico de escravos, pela colonização europeia e pela independência dos diversos países. A África é destacada como berço da humanidade e de contribuição fundamental para a cultura e a produção do conhecimento científico mundial.

Conheça a programação completa e todos os participantes

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Informações

Aline Falco, Ana Lúcia Guimarães e Isabel de Paula.
Assessoria de Comunicação – UNESCO no Brasil
Fones (61) 2106-3544/8142-3742, 2106-3536, 2106-3538
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