Colômbia: ONU defende reintegração das crianças associadas à guerrilha

Representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflitos Armados pede garantias de que as crianças voltem às famílias protegidas e recebam cuidados necessários, como apoio econômico e psicológico.

Crianças na escola em Nariño, na Colômbia. Foto: UNICEF / Roger LeMoyne

Crianças na escola em Nariño, na Colômbia. Foto: UNICEF / Roger LeMoyne

A representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflitos Armados, Leila Zerrougui, disse na terça-feira (25) que está animada com o compromisso do governo colombiano e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) de separar e reintegrar as crianças ligadas ao grupo armado.

“Peço aos envolvidos que façam todo o possível para dar o apoio e o cuidado adequado aos menores e às comunidades que sofreram muito durante este conflito violento”, sublinhou Leila Zerrougui.

A representante afirmou que é essencial que as crianças voltem às famílias de forma protegida e recebam tratamentos necessários, como apoio econômico e psicológico.

No início deste mês, os colombianos rejeitaram o acordo de paz através de um plebiscito. Apesar do resultado, tanto o governo como as FARC concordaram em continuar os esforços para manter o acordo e pôr fim a mais cinco décadas de conflito civil.

Citando o relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação das crianças afetadas pelo conflito na Colômbia – que abrange o período de setembro de 2015 a junho de 2016 –, Zerrougui disse que o número de violações contra as crianças tem diminuído e que avanços foram feitos no sentido de reforçar o quadro político, bem como adaptar as políticas de proteção.

No entanto, ela observou que algumas preocupações persistem, especialmente em relação à presença desafiadora de grupos pós-desmobilização e às lacunas entre os compromissos políticos e as implementações das ações.

Zerrougui também elogiou o anúncio das conversações de paz entre a Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN), que devem ocorrer nesta semana em Quito, no Equador, e pediu que as partes considerem a questão de proteção das crianças o mais cedo possível.