“O processo de paz na Colômbia estabelece um marco ao responder explicitamente a discriminação de gênero e violência sexual no conflito”, disse Zainab Hawa Bangura

Mulheres protestam na Colômbia pedindo o fim do uso das mulheres como arma de guerra. Foto: Flickr/Natalio Pinto (CC)
A representante especial do secretário-geral sobre violência sexual em conflito, Zainab Hawa Bangura, parabenizou nesta sexta-feira (02) o acordo entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia que inclui condições para não conceder anistia para os crimes considerados mais graves, incluindo violência sexual.
No acordo alcançado em 23 de setembro, as partes concordaram em criar uma Jurisdição Especial para a Paz, que prioriza os direitos das vítimas, incluindo em áreas relacionadas à busca da verdade, reparação e garantias de não repetição dos crimes.
Para Bangura, a inclusão desse artigo significa um avanço na luta contra a impunidade no país. “O processo de paz na Colômbia estabelece um marco ao responder explicitamente a discriminação de gênero e violência sexual no conflito”, disse.
Ela também elogiou o estabelecimento de uma subcomissão de gênero que garantiu a integração dessa perspectiva nas negociações, contando com a participação de sobreviventes de violência sexual e líderes de organizações de direitos das mulheres nos diálogos de paz. Segundo ela, esse modelo é inédito e deveria ser usado em outros processos de paz no mundo.