O português António Guterres disse que a capacidade do ACNUR para ajudar os deslocados à força estava sendo “radicalmente testada” pela aceleração das crises.
A combinação entre novos grandes conflitos e aqueles não resolvidos pelo mundo estão cada vez mais exigindo recursos humanitários em níveis sem precedentes, o chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) advertiu hoje. “Já em 2011, mais de 800.000 pessoas atravessaram as fronteiras em busca de refúgio — uma média de mais de 2.000 refugiados por dia”, disse o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, na abertura da reunião anual do Comitê Executivo do órgão, em Genebra.
Guterres disse que a capacidade do ACNUR para ajudar os deslocados à força estava sendo “radicalmente testada” pela aceleração das crises, com mais de 700 mil pessoas fugindo da República Democrática do Congo (RDC), Mali, Sudão e Síria apenas neste ano.
“Estamos em um momento em que as exigências sobre nós estão subindo, enquanto os meios disponíveis para responder se mantiveram em um nível semelhante ao do ano passado. Nossas operações na África, em particular, estão dramaticamente subfinanciadas”, disse Guterres. “Neste momento, não temos espaço para quaisquer necessidades imprevistas. Não há reservas disponíveis. No atual ambiente operacional do imprevisível, este é um motivo de grande preocupação”.
O ACNUR está colocando em prática novas medidas para melhorar a sua eficiência, Guterres disse, tais como um corte sobre compras não essenciais e um maior controle sobre o reabastecimento dos estoques de ajuda. Além disso, a agência, que depende de contribuições voluntárias, está buscando financiamento de fontes não tradicionais, incluindo o setor privado, bem como parcerias com organizações da sociedade civil.