Nesses país sul-americanos, artistas, autoridades e representantes de organismos internacionais convidaram refugiados para encontros, aulas e exposições. Atividades foram organizadas para marcar o Dia Mundial do Refugiado, lembrado em 20 de junho.

Por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, conheceu refugiados da Colômbia, Peru, Afeganistão, República Democrática do Congo e da Síria. Foto: Presidência do Chile
Na América Latina, governos e artistas somaram esforços no 20 de junho, Dia Mundial do Refugiado, para conscientizar a população sobre a atual crise de deslocamento forçado. No mundo, mais de 65,6 milhões de pessoas tiveram de abandonar suas comunidades para fugir da violência. Atividades contaram com o apoio do Escritório Regional da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Sul da América Latina, organismo que atende mais de 20 mil refugiados e requerentes de asilo na Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai.
No Chile, a presidenta Michelle Bachelet se encontrou com 40 estrangeiros, todos vítimas de deslocamento forçado, para um café da manhã. Vindos da Colômbia, Peru, Afeganistão, República Democrática do Congo e Síria, os refugiados partilharam não só uma refeição, mas também suas histórias de vida com a chefe de Estado.
“Somos uma nação de migrantes e também de refugiados porque muitas pessoas que chegaram nesse país, ao longo de nossa história, vieram fugindo de conflitos, perseguições, guerras e escassez”, afirmou Bachelet em pronunciamento no encontro.

Oficina de pintura no Museu de Arte de Lima. Foto: ACNUR/Analía Kim
“Neste Dia Mundial do Refugiado, comemorado oficialmente em nosso país desde o ano passado, quero expressar a cada um de vocês a profunda solidariedade e carinho do povo chileno, e desta presidenta que sabe por experiência própria o que é viver em exílio, como muitos outros”, acrescentou.
No Chile, vivem cerca de 5 mil indivíduos refugiados e solicitantes de refúgio. A maioria deles é proveniente da Colômbia. No país, o Dia Mundial do Refugiado é comemorado de forma oficial, conforme determinado pela Lei N° 20.896, estabelecida em 2016.
As comemorações da data se encerraram com uma projeção da iniciativa #ComOsRefugiados, campanha do ACNUR que iluminou de azul a fachada do Palácio de la Moneda, sede do Executivo chileno. Saiba mais sobre a #ComOsRefugiados clicando aqui.
Artista peruano encanta crianças
No Peru, o artista Fito Espinosa ofereceu uma aula de pintura para crianças e famílias refugiadas no Museu de Arte de Lima (MALI).“Estou muito satisfeito por realizar essa oficina, especialmente se é para colaborar com o ACNUR para que de alguma forma se possa falar mais sobre o trabalho que fazem e como é importante para a realidade dessas pessoas”, afirmou.
O centro cultural da capital peruana também promoveu uma exibição de documentários sobre o tema do refúgio. Entre as produções exibidas, estavam Casa en tierra ajena, de Ivannia Villalobos, Astral, de Jordi Évole, e Generation Standstill, de Anastasia Trofimova.
“Para nós, é uma grande oportunidade de aprender sobre as circunstâncias ou o que significa ser um refugiado, e que não é algo que acontece apenas em outras partes do mundo, ou está muito distante somente na televisão ou nas notícias, é algo que ocorre aqui”, explicou a curadora de projetos educativos do MALI, Patrícia Villanueva. O Peru conta, atualmente, com 6 mil refugiados e solicitantes de refúgio.
Exposição no Uruguai

Abertura da exposição #RefugiArte no Uruguai. Foto: MUMI
No Uruguai, o ACNUR levou inaugurou no Museu das Migrações a mostra “#RefugiArte: a crise dos refugiados através dos olhos de artistas latino-americanos”. Exposição reúne ilustrações de artistas da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.
“Trata-se de uma exposição que nasceu com o objetivo de provocar uma reflexão, por meio da arte, sobre a crise global de refugiados. As ilustrações retratam situações dramáticas e os sérios desafios que os refugiados enfrentam em um mundo em que hoje, mais do que nunca, é preciso reiterar os princípios de proteção e solidariedade”, afirmou Kylie Alcoba Wright, oficial regional de programa do ACNUR.
A #RefugiArte foi lançada na Argentina em março de 2016 e já rodou o Chile, Equador e Peru. No Uruguai, a mostra fica em cartaz até 26 de agosto.