De acordo com o porta-voz do secretário-geral da ONU, a campanha quer vacinar 850 mil pessoas no país com mais de um ano de idade; mais de 800 mil pessoas afetadas pelo furacão Matthew ainda passam fome, alertou um escritório das Nações Unidas.

A campanha de vacinação contra o cólera no Haiti deve vacinar cerca de 820 mil pessoas maiores de um ano de idade. Foto: ONU/MINUSTAH/Logan Abassi
A campanha de vacinação contra o cólera começou na terça-feira (8) nas áreas mais afetadas pelo furacão Matthew no Haiti, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
De acordo com o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, a campanha quer vacinar 850 mil pessoas no país com mais de um ano de idade.
“As atividades vão focar nas regiões mais vulneráveis a surtos da doença nas províncias de Grand’Anse e Sud, no sul do país, onde os sistemas de abastecimento de água e outros serviços foram severamente danificados”, disse Dujarric.
“É essencial trabalhar em equipe e com parceiros para construir uma capacidade local para a gestão clínica de casos nos centros de tratamento de cólera”, acrescentou o representante da OPAS no país, Jean-Luc Poncelet, alertando que alguns municípios no Haiti relataram surto da doença desde que o furacão atingiu a ilha caribenha em 4 de outubro.
Poncelet destacou ainda que a OPAS/OMS apoiará o Ministério da Saúde do Haiti em várias atividades, através do suporte técnico e desenvolvimento de ferramentas, bem como por meio da recepção, transporte e estoque das vacinas e suprimentos em departamentos, municípios e instituições.
A OPAS/OMS também apoiará o treinamento de supervisores e operadores da vacinação, bem como a coordenação, recolha e análise de informações e avaliação.
“A vacina é uma intervenção adicional, que vai nos ajudar a salvar vidas, mas não substitui os esforços que o governo apoia nos sistemas de abastecimento de água e saneamento”, enfatizou Daphne Benoit, ministro da saúde pública do Haiti.
A diretora do serviço de informação da ONU em Genebra, Alessandra Vellucci, disse a jornalistas que o apelo das Nações Unidas para o Haiti ainda só foi financiado em 36%.
Nessa semana, o Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que, das 806 mil pessoas que estão no “nível extremo” de insegurança alimentar, 426 mil (ou 53%) receberam até agora assistência alimentar.
Os contínuos incidentes de segurança contra comboios de material humanitário dificultam a prestação de assistência, informou o OCHA.
Na última semana, período do qual trata o relatório, as fortes chuvas nos departamentos de Grand’Anse, Nord-Est e Nord levaram à morte de 10 pessoas, sendo três mulheres, quatro homens e três crianças. Três outras ficaram feridas e uma está desaparecida.
Com a perda de colheitas girando entre 80 a 100% nas áreas predominantemente rurais, os riscos de insegurança alimentar vão piorar nos próximos meses, alertou o OCHA, se as atividades agrícolas não forem urgentemente restauradas em meados de novembro.