Jornais, fotografias, programas de rádio e vídeos criados por meninos e meninas ticunas e kokamas poderão inspirar outros jovens de todo o Brasil a promover e divulgar seus direitos.

Jovens indígenas da região durante oficina em 2012. Foto: PCSAN/Daniela Silva
Depois de aprenderem a produzir vídeos, programas de rádio, fotografias e montar jornais com foco em direitos humanos, jovens ticunas e kokamas alimentarão um site criado para a rede de jovens indígenas do Alto Rio Solimões, no Amazonas.
Oficinas sobre ferramentas de internet serão realizadas de 17 a 21 de maio, em Tabatinga (Alto Rio Solimões), e o site será lançado no encerramento do encontro.
As oficinas reunirão 30 jovens, coordenadores de educação indígena e monitores dos quatro núcleos de comunicação que funcionam em comunidades indígenas de Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Tabatinga.
Os núcleos e as oficinas são resultado de capacitações promovidas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) como parte do Programa Conjunto de Segurança Alimentar e Nutricional de Mulheres e Crianças Indígenas (PCSAN), parceria da ONU com o governo brasileiro. A ação conta com financiamento do Fundo para o Alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, criado com recursos do governo da Espanha.
Ao todo, 50 crianças, adolescentes e jovens ticunas e kokamas dos três municípios beneficiados pelo PCSAN já foram contemplados, diretamente, pelas oficinas de comunicação. As peças audiovisuais, produzidas desde agosto do ano passado, valorizam histórias e ações ocorridas nas comunidades indígenas e têm sido divulgadas em escolas e pontos de circulação dos moradores, alcançando um público diversificado.
“Os jovens têm lançado seus olhares para a própria realidade, produzindo jornais, vídeos, programas de rádio e fotografias sobre temas relacionados aos direitos humanos, em especial de crianças e adolescentes indígenas. Com o site, essas expressões audiovisuais poderão ser acessadas por um universo ilimitado de pessoas. O UNICEF espera que o protagonismo desses jovens inspire e motive muitos outros meninos e meninas de todo o Brasil a promover e divulgar seus direitos”, comenta o representante do UNICEF no Brasil, Gary Stahl.
O site também é uma ferramenta de comunicação contínua para os jovens que passam a compor uma rede de jovens indígenas comunicadores do Alto Rio Solimões. “Com o site, poderemos nos comunicar com outros jovens, e quem sabe agora divulgar ao mundo o que estamos aprendendo. A internet para nós é a ferramenta que estava faltando. Queremos nos comunicar também na nossa língua ticuna e mostrar que podemos continuar nosso costume tradicional, sem jamais deixarmos de ser ticunas”, diz o ticuna Sandro Flores, 23 anos.
“Nossa expectativa é aprender a usar a internet para divulgar nosso trabalho pelo site. Esse é um grande incentivo para a gente, porque é difícil chegarem oportunidades para nós jovens indígenas. Com o site, vamos manter sempre contato com outros jovens e nos informar sobre nossos direitos”, afirma a kokama Geruzethe Arcanjo, 17 anos.
O endereço do site dos jovens indígenas será divulgado em breve. Mais informações: dsilva@unicef.org