Duas agências apoiarão implementação de programa-piloto de alimentação escolar com uso de alimentos produzidos localmente, que servirá de base para um programa nacional de alimentação escolar.

Programa de alimentação escolar em Madagascar. Foto: L’Express de Madagascar, via Centro de Excelência contra a Fome do PMA
Em julho de 2014, o governo de Madagascar aplicou a metodologia ‘Abordagem Sistêmica para Melhores Resultados de Educação’ (Saber, do nome em inglês) para avaliar seu sistema educacional, com apoio do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), do Banco Mundial e da Partnership for Child Development (PCD).
Durante a oficina, os participantes discutiram o desenvolvimento de uma política nacional de alimentação escolar e a reforma da unidade de alimentação escolar do Ministério da Educação do país africano. Eles também desenvolveram um plano de ação para implementar um programa sustentável de alimentação escolar.
Com apoio do Banco Mundial, o Ministério da Educação vai implementar um programa-piloto de alimentação escolar com uso de alimentos produzidos localmente, que servirá de base para um programa nacional de alimentação escolar.
O PMA oferecerá assistência técnica ao Ministério da Educação para desenvolver uma política nacional, e Madagascar solicitou apoio do Centro de Excelência contra a Fome do PMA para esta iniciativa.
No último dia 23 de setembro, houve uma conferência telefônica entre representantes do governo de Madagascar, do escritório de país do PMA e do Centro de Excelência. A vice-diretora do Centro, Cynthia Jones, apresentou a metodologia de trabalho do Centro e alguns dos resultados dos últimos três anos.
Os oficiais do governo puderam entender como o Centro tem apoiado outros governos no desenvolvimento de suas políticas e programas de alimentação escolar. Uma reunião de seguimento aconteceu em Joanesburgo, na África do Sul, durante o Fórum Global de Alimentação Escolar.
Representantes do governo e do PMA discutiram a colaboração entre o Centro de Excelência e o governo de Madagascar. Durante essa reunião, o governo de Madagascar manifestou seu interesse em apresentar uma solicitação oficial de assistência técnica do Centro para a realização de um estudo de viabilidade de um programa de alimentação escolar vinculado à agricultura local e para a implementação do programa-piloto, em coordenação com o Banco Mundial e o PCD. Eles também discutiram a possibilidade de realizar uma visita de estudos ao Brasil em 2015, organizada pelo Centro.
Para continuar o diálogo com o governo, a consultora internacional do Centro, Nadia Goodman, fez uma avaliação de 3 a 7 de novembro para estabelecer os parâmetros para o possível engajamento do Centro com o governo de Madagascar. Essa missão técnica incluiu consultas multissetoriais com oficiais do governo, parceiros de desenvolvimento e ONGs para entender como o Centro pode apoiar as diferentes iniciativas de alimentação escolar em curso em Madagascar.
Essa avaliação incluiu uma reunião entre Nadia, o diretor do escritório de país do PMA Willem Vanmilink, a oficial de programa do PMA Adria Rakotoarivony e o ministro da Educação, Paul Andrianianina Rabary. Eles discutiram o potencial apoio do Centro para o desenvolvimento do programa de alimentação escola de Madagascar.
Eles também realizaram reunião com o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Madagascar, Roland Ravatomanga. Eles discutiram a importância de vincular o programa de alimentação escolar com a agricultura familiar e expressaram interesse em visitar o Centro de Excelência para aprender sobre as políticas e programas sociais do Brasil.
Parceria foi anunciada na imprensa local
Após as reuniões, o governo de Madagascar anunciou que pretende reproduzir no país o modelo brasileiro de alimentação escolar. Reportagem publicada nesta semana pelo jornal local L’Express de Madagascar destacou a notícia.
Em entrevista à publicação, o diretor de currículo escolar do Ministério da Educação de Madagascar, Denis Alexandre Lahiniriko, classificou o modelo brasileiro como “o mais avançado do mundo”. E acrescentou: “O objetivo é melhorar a alimentação escolar no país. O Brasil tem experiência em alimentação escolar para populações vulneráveis. O modelo brasileiro se baseia, sobretudo, em uma infraestrutura adequada para as cantinas escolares, a existência de um comitê local de gestão de alimentação escolar, a gestão dos estoques e a qualidade dos alimentos”.
Por enquanto, as merendas escolares em Madagascar são compostas por refeições com farinha enriquecida, milho e legumes. O objetivo do país agora é seguir o modelo brasileiro, que tem foco nos estudantes, mas também nos agricultores para promover o mercado local e a agricultura familiar.
A estratégia já foi iniciada pela PMA no sul da ilha, mas nem todas as crianças são assistidas. Das 24 mil escolas primárias públicas de Madagascar, apenas 160 recebem apoio do governo para oferecer merenda escolar.