Com apoio da OPAS, programa ‘Mais Médicos’ leva atenção básica a Oiapoque, extremo norte do Brasil

No total, Amapá recebeu 118 médicos cubanos através do programa federal, sete deles no município de Oiapoque. Atualmente, aproximadamente 93% dos médicos no estado do Amapá são cubanos oriundos da cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde, braço da OMS nas Américas.

Tema de música popular, nome de dupla sertaneja, título de livro e expressão tradicional da extensão territorial do Brasil. Não fosse o dito popular “do Oiapoque ao Chuí”, talvez o município do estado do Amapá não fosse tão conhecido. Entretanto, geralmente as informações que as pessoas têm sobre a cidade não ultrapassam a expressão idiomática, que traduz a extensão territorial do Brasil através das cidades que marcam os extremos norte e sul do país.

O estado do Amapá recebeu 118 médicos cubanos através do programa ‘Mais Médicos’, e sete destes foram para o município de Oiapoque. Hoje, aproximadamente 93% dos médicos no estado do Amapá são cubanos oriundos da cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas.

“Eu mesmo nunca tinha ouvido falar do Oiapoque. Só conheci a cidade quando comecei a trabalhar aqui”, conta o cubano Leonardo Cabrera, supervisor da OPAS/OMS para o programa Mais Médicos nos estados de Amapá e Roraima.

Oiapoque fica a 550 quilômetros de Macapá, capital do estado do Amapá, e foi considerado o ponto mais setentrional do Brasil durante décadas. O que pouca gente sabe é que, em 1998, uma expedição descobriu que, na verdade, o ponto mais ao norte do país é o Monte Caburaí, em Roraima.

Euclides Bell Calzado é um deles. O médico cubano chegou a Oiapoque em novembro de 2013 e destaca a escassez de médicos que havia no município: “O primeiro problema era a falta de recursos humanos, de médicos na atenção básica, principalmente para uma população tão grande, necessitada e fronteiriça. Além disso, a atenção hospitalar era muito precária. E sendo um município tão distante da capital, não havia como tratar a população”.

Integração da equipe é um diferencial

Fabíola Paiva é enfermeira do município e integra a equipe de Euclides. Ela destaca duas qualidades do médico: a atenção humanizada aos pacientes e a importância do trabalho em conjunto. “É muita parceria que ele tem com a equipe. A gente troca conhecimento e se reúne semanalmente, às sextas à tarde, para avaliar a semana que passou e se preparar para a seguinte.”

As consultas são programadas, e as visitas domiciliares acontecem uma vez por semana. “Antes desses médicos chegarem aqui, nunca um médico tinha vindo na minha casa me visitar. O único que vem é o doutor Euclides. Ele vem na minha casa, me consulta, sabe o que está acontecendo comigo. Eu tenho a passagem com ele duas vezes por mês, às vezes até três vezes por mês. Isso foi uma maravilha para nós”, conta Maria de Jesus, paciente de Euclides.

“Hoje o município está praticamente todo coberto pela atenção básica, o que faz uma grande diferença na vida das pessoas. E um hospital foi inaugurado recentemente, melhorando a atenção secundária. Então a situação atual, depois do Programa Mais Médicos, é muito melhor. A diferença entre o antes e o depois é enorme”, afirma o médico.