Com apoio do Banco Mundial, cooperativa de iogurte muda vida de comunidade rural paulista

Sem acesso a crédito e assistência técnica, produto poderia estragar antes de chegar ao mercado ou ser pouco rentável. Projeto fez prefeitura construir escola na região, que é abastecida pelos próprios produtores.

Cooperativa Leite do Campo. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Cooperativa Leite do Campo. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Com apoio do Banco Mundial, uma cooperativa de iogurte mudou a vida de produtores da zona rural de São Roque (SP). Com a assistência técnica necessária, eles ampliaram a ordenha e hoje produzem 6 mil litros de iogurte diariamente.

Os potinhos abastecem mercados e escolas, uma delas criada justamente por causa do projeto. “Com a cooperativa, conquistamos o poder de solicitar à prefeitura a construção de uma escola de ensino fundamental na zona rural de São Pedro. Sem ela, muita gente parava de estudar no 4º ano”, conta o presidente da Leite do Campo, José Lodovico Rinaldi.

Um dos 120 fornecedores da Leite do Campo, Antônio Aristeu Soares assegura que fazendo iogurte não apenas tem uma fonte regular de renda, como pode ganhar mais. “Isso me incentiva a produzir leite de melhor qualidade.”

A experiência materializa uma das principais conclusões do estudo “Leite e derivados lácteos na nutrição humana”, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O estudo destaca que o iogurte no lanche escolar não só é um grande aliado para a nutrição e a saúde das crianças, como também contribui para a economia das comunidades mais pobres.

O documento afirma que a produção de leite gera mais empregos do que a agricultura: para cada 30 litros processados se cria um posto de trabalho fora das fazendas. Apesar de exigir altos investimentos, a indústria láctea “proporciona a longo prazo uma fonte de ganhos mais confiável do que a maior parte dos cultivos”, diz a pesquisa.

Segundo a FAO, nos países em desenvolvimento, 1 bilhão de pessoas vivem com o que obtêm dos produtos lácteos nas terras com ao menos um animal.

Embora não faça recomendações diretas ao Brasil, o relatório deixa claro que os países têm muito a ganhar se os pequenos criadores de gado obtiverem maior acesso ao crédito e à assistência técnica. Sem esse apoio, o leite pode estragar antes de chegar ao mercado ou ser pouco rentável.