Com refugiados, cerimônia da Trégua Olímpica na Rio 2016 defende paz no mundo

A tradição da Trégua Olímpica remonta o século 9 AC, na Grécia Antiga, quando um tratado foi assinado entre três reis para permitir que atletas e suas famílias pudessem viajar em segurança para assistir aos Jogos Olímpicos e retornar aos seus locais de origem.

Considerando o atual contexto mundial, o Comitê Olímpico Internacional (COI) tem mantido a tradição, após resolução da Assembleia Geral da ONU, para proteger os interesses dos atletas e do esporte e também para encorajar a busca por soluções pacíficas e diplomáticas para os diferentes conflitos ao redor do mundo.

Com o técnico Geraldo Barbosa (esq), os refugiados judocas Popole Misenga e Yolande Mabika se juntaram às crianças (também refugiadas) do Coral Infantil Coração Jolie durante a cerimônia da Trégua Olímpica. Foto: ACNUR/ L.F. Godinho

Com o técnico Geraldo Barbosa (esq), os refugiados judocas Popole Misenga e Yolande Mabika se juntaram às crianças (também refugiadas) do Coral Infantil Coração Jolie durante a cerimônia da Trégua Olímpica. Foto: ACNUR/ L.F. Godinho

Com a participação de um coral formado por 26 crianças refugiadas que vivem no Brasil, o Comitê Olímpico Internacional (COI) promoveu nesta segunda-feira (1) a cerimônia da Trégua Olímpica — uma iniciativa que remonta à antiguidade grega — nos Jogos Rio 2016.

Dois atletas da histórica Equipe Olímpica de Refugiados, os judocas Popole Misenga e Yolande Mabika, da República Democrática do Congo, participaram da cerimônia, ocorrida na Vila dos Atletas.

O presidente do COI, Thomas Bach, ressaltou os valores de paz e solidariedade relacionados à Trégua Olímpica, e afirmou que a Equipe Olímpica de Atletas Refugiados é “um sinal de esperança para todos os refugiados do mundo”.

“Na Vila Olímpica, os atletas de todo o mundo dão o exemplo de que é possível competir e conviver em paz ao mesmo tempo. Este é o verdadeiro espírito olímpico de unidade e diversidade”, afirmou o presidente do COI.

“A Trégua Olímpica é tão relevante atualmente como era nos tempos antigos”, disse. “Mais do que nunca, o mundo precisa do espírito olímpico de paz e solidariedade”, completou.

O presidente do COI agradeceu a Assembleia Geral da ONU e todos os Estados-membros pela adoção da resolução que pede a todas as nações do mundo o cessar de hostilidades durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.

O presidente do COI, Thomas Bach, cumprimenta as crianças refugiadas do Coral Infantil Coração Jolie durante a cerimônia da Trégua Olímpica, na Rio 2016. Foto: ACNUR/ L.Benjamim

O presidente do COI, Thomas Bach, cumprimenta as crianças refugiadas do Coral Infantil Coração Jolie durante a cerimônia da Trégua Olímpica, na Rio 2016. Foto: ACNUR/ L.Benjamim

Durante a cerimônia, foi inaugurado o Mural da Trégua Olímpica, que coletará mensagens dos moradores e visitantes da Vila dos Atletas em prol da paz e da solidariedade entre os povos.

O Coral Infantil Coração Jolie é uma iniciativa da organização não-governamental IKMR (I Know My Rights) e tem o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil. Em meio às autoridades do mundo esportivo, as crianças do coral brincaram e tiraram fotos com um dos mascotes dos Jogos Rio 2016.

“Vocês cantam muito bem”, disse Bach ao final da apresentação, enquanto presenteava as crianças com o broche olímpico. De diferentes nacionalidades, elas conversaram com o presidente do COI em vários idiomas: francês, inglês e alemão.

“Este coral nos dá esperança no futuro e nos inspira a trabalhar ainda mais para fazer com estas crianças vivam em mundo de paz”, afirmou Bach.

As crianças, por sua vez, entenderam a importância da cerimônia e concordaram com a mensagem da Trégua Olímpica. “Se vivêssemos em paz, o mundo seria um lugar muito melhor, com mais brincadeiras, muita felicidade e sem medo de ninguém”, afirmou o jordaniano Mahdy, de 9 anos.

“Lá na África, tem muita gente que está precisando que as guerras parem”, garantiu a congolesa Benedita Nanga, de 12 anos.

Aisha, de 7 anos e refugiada de Angola, completou: “escrever no mural para parar as guerras é uma boa ideia”. “Sem guerras, a gente terá as pessoas mais juntas, tratando uns aos outros como se fossem alguém da família”.

A tradição da Trégua Olímpica remonta o século 9 AC, na Grécia Antiga, quando um tratado foi assinado entre três reis para permitir que atletas e suas famílias pudessem viajar em segurança para assistir aos Jogos Olímpicos e retornar aos seus locais de origem.

Considerando o atual contexto mundial, o COI tem mantido a tradição para proteger os interesses dos atletas e do esporte e também para encorajar a busca por soluções pacíficas e diplomáticas para os diferentes conflitos ao redor do mundo.

O judoca refugiado Popole Misenga, ressaltou a importância da adoção da Trégua Olímpica. “Todas as guerras devem acabar, e essa cerimônia de hoje foi um evento necessário para alertar os governantes sobre a importância para todos nós vivermos em paz uns com os outros”, disse. Tanto ele como Yolande assinaram o mural e deixaram suas mensagens em apoio à Trégua Olímpica.

Antes de deixar a Vila dos Atletas, o presidente do COI reconheceu os esforços do Brasil no campo humanitário e na proteção de refugiados.

“Com a Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, queremos mostrar que os refugiados enriquecem a sociedade. O Brasil dá um bom exemplo ao receber vários refugiados e dar a eles a oportunidade de viver em um ambiente pacífico”, afirmou Thomas Bach.

A cerimônia da Trégua Olímpica contou ainda com a presença da representante do ACNUR no Brasil, Isabel Marquez, do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, da prefeita da Vila dos Atletas, Janeth Arcain, e do Ministro dos Esportes, Leonardo Picciani.

Para a representante do ACNUR no Brasil, “é necessário que o mundo entenda que os refugiados são pessoas como nós, com sonhos e inspirações”. “Também têm habilidades extraordinárias que podem florescer, desde que sejam dadas as devidas condições”, declarou, completando que os integrantes da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados tiveram suas carreiras interrompidas pela guerra, mas conseguiram vencer as adversidades.

“Esta é a pior crise de refugiados da história da humanidade. Queremos mostrar que os refugiados enriquecem as sociedades, e o Brasil está dando um bom exemplo ao receber tantos refugiados e ao dar a eles uma oportunidade de viver em um ambiente pacífico”, declarou Bach.

O refugiado congolês Popole Misenga, integrante da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, deixou no Mural da Trégua Olímpica uma mensagem em favor da paz. Foto: ACNUR/L.Benjamim

O refugiado congolês Popole Misenga, integrante da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, deixou no Mural da Trégua Olímpica uma mensagem em favor da paz. Foto: ACNUR/L.Benjamim