“Apenas uma força ativa com uma postura pró-ativa e robusta é capaz de neutralizar e derrotar as ameaças à população civil que a ONU tem a obrigação de proteger”, disse o general brasileiro e comandante militar da Força de Paz na RD Congo.

Tropas da ONU de Chade patrulham a área fora da sua base em Tessalit, no norte do Mali. Foto: ONU/Marco Dormino
O comandante da força militar da Missão das Nações Unidas de Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO), o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, destacou no Conselho de Segurança da ONU nesta que apesar do aumento de hostilidades em vários países em 2014 a proteção dos civis permanece como “uma obrigação moral” para as tropas da ONU.
Junto com outros comandantes de Forças de Paz das Nações Unidas, Santos Cruz participou de uma reunião no Conselho de Segurança para debater estratégias para a construção e manutenção da paz. Durante o encontro, o general brasileiro ressaltou sua convicção de que a melhor maneira de proteger os civis é ser pró-ativo ao invés de reativo.
“Apenas uma força ativa com uma postura pró-ativa e robusta é capaz de neutralizar e derrotar as ameaças à população civil que a ONU tem a obrigação de proteger. Por outro lado, a simples presença das forças de paz por períodos prolongados sem ação, em meio a violência contínua, causa um enfraquecimento da reputação da ONU”, acrescentou o comandante.
O conselheiro militar da ONU, general Maqsood Ahmed, afirmou que os comandantes das Forças de Paz da ONU estão neste momento liderando mais de 90 mil “capacetes-azuis” em todo o mundo e enfrentam desafios cada vez maiores à medida que operam em lugares envolvidos em graves crises e conflitos armados.
“Os comandantes estão operando em países fracassados ou que estão fracassando, onde, francamente, não há – ou dificilmente haverá – paz para manter”, disse o tenente-general Ahmed, destacando ao Conselho de Segurança, os perigos e dificuldades que enfrentam os membros das Forças de Paz da ONU em cada lugar.
Na ocasião, o general Ahmed citou os atentados à Missão da ONU para Estabilização Multidimensional Integrada no Mali (MINUSMA) que já causaram um total de 31 mortes de “capacetes-azuis” e deixaram 91 feridos, desde que começou a operar no país, em julho de 2013. Além disso, ele destacou o nível de complexidade em relação ao vírus Ebola na África Ocidental, bem como a crescente crise do surto, para as tropas de paz da ONU que estão na região.
O comandante da Força da ONU de Observação do Desengajamento (UNDOF) também observou os desafios existentes para a missão nas Colinas do Golã, com o prolongamento do conflito sírio e a espiral de violência dos últimos meses na região, que levou ao sequestro de 45 capacetes-azuis enquanto outros 72 ficaram detidos.