Combate à epidemia de HIV não se resume ao fornecimento de remédios, diz agência da ONU

Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) aponta que sistemas de saúde devem fornecer outros serviços para promover a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV. Medidas de apoio e cuidado envolvem assistência clínica, física e jurídica, atendimento psicológico, aconselhamento nutricional, monitoramento de outras doenças e profilaxia para a prevenção de infecções bacterianas.

Cuidado de HIV/AIDS deve envolver não apenas o fornecimento da terapia antirretroviral, mas também acoselhamento e acompanhamento psicológico. Foto: PMA

Cuidado de HIV/AIDS deve envolver não apenas o fornecimento da terapia antirretroviral, mas também aconselhamento e acompanhamento psicológico. Foto: PMA

A terapia antirretroviral é fundamental para combater a epidemia de HIV/AIDS, mas o tratamento não deve ser a única aposta dos sistemas de saúde.

Serviços de cuidado e apoio são igualmente importantes para melhorar a qualidade de vida dos que são diretamente afetados pelo vírus e pela doença, apontam o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas o que são exatamente esses serviços? Segundo o UNAIDS, eles englobam diferentes tipos de atendimento, que não apenas lidam com o gerenciamento dos sintomas, mas envolvem também o oferecimento de exames para tuberculose, de profilaxia para prevenção de infecções bacterianas e de suporte clínico, físico e legal.

Outras medidas de apoio e cuidado incluem aconselhamento nutricional e tratamento psicológico para promover a saúde mental e para controlar o uso abusivo de substâncias, incluindo o álcool.

Embora possam variar dependendo do contexto onde estão inseridas as populações que vivem com HIV, o UNAIDS aponta que esses serviços devem sempre garantir o acesso imediato à terapia antirretroviral para as pessoas recém-diagnosticadas com o vírus. Outro objetivo da atenção de saúde é fortalecer a adesão dos pacientes ao tratamento — que é capaz de reduzir a carga viral e, portanto, prevenir novas infecções.

Atualmente, a agência da ONU avalia que os cuidados fornecidos à população afetada pela epidemia permanecem associados aos serviços disponíveis em clínicas e hospitais, apesar do papel crescente de redes integradas de atenção que mobilizam comunidades e voluntários fora dos espaços hospitalares. O UNAIDS espera que, no futuro, a atenção se torne cada vez mais descentralizada, com tecnologias permitindo aos pacientes se informar sobre seu estado de saúde.

Obstáculos

A mais recente publicação do organismo internacional sobre cuidado e apoio relacionados ao HIV alerta que diferentes obstáculos podem impedir a inclusão de pessoas vivendo com o vírus em redes de atenção. Acesso o documento aqui.

Desafios podem ser econômicos — ausência de redes de transporte adequadas para levar pacientes a centros de atendimento, impossibilidade de ser liberado do trabalho para buscar remédios, escassez de comida — ou ligados aos próprios sistemas de saúde — hospitais superlotados, falta de profissionais.

O UNAIDS aponta ainda que o estigma e o preconceito também são fatores por trás da baixa adesão às rotinas de tratamento propostas por médicos aos pacientes. Um meio de lidar com esse problema é criar redes de apoio e serviço social onde os indivíduos podem partilhar suas experiências e receber aconselhamento para enfrentar medos e estereótipos associados ao HIV.

“A terapia antirretroviral deve ser fornecida imediatamente às pessoas que tenham um diagnóstico positivo, assim como também devem-se fornecer os cuidados e apoio, a assistência e testagem, o apoio jurídico, social e econômico, acompanhamento da saúde mental e emocional e acesso a métodos contraceptivos e serviços de saúde”, explica a especialista do programa da ONU, Meg Doherty.