Comemorando três anos, Centro de Excelência contra a Fome promove segurança alimentar no mundo

Através da troca de experiências no combate à fome, Centro promove proteção social e impulsiona reformas de políticas de alimentação; 30 países da América Latina, África e Ásia já visitaram Brasília e 18 colocaram em prática políticas nacionais inovadoras.

Arte: Centro de Excelência contra a Fome

Arte: Centro de Excelência contra a Fome

O Centro de Excelência contra a Fome completa três anos nesta sexta-feira (07). Inaugurado em novembro de 2011, o Centro é uma parceria inédita entre o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) e o governo brasileiro. A proposta é construir pontes com a América Latina, a África e a Ásia para compartilhar experiências sobre alimentação escolar, nutrição e segurança alimentar.

Desde 2011, o Centro recebeu 30 países em visita de estudo ao Brasil, dos quais 18 estão colocando em prática políticas nacionais inovadoras, planejadas com apoio do Centro. “Nós percebemos que o compromisso dos países com a implantação das políticas é consideravelmente maior quando os governos, a sociedade civil e a iniciativa privada estão envolvidos desde a concepção dessas políticas. Por isso, nós não oferecemos soluções prontas para os países, nós apenas proporcionamos o apoio técnico que eles solicitam para que eles mesmo encontrem suas soluções para o combate à fome e à pobreza”, afirmou o diretor do Centro de Excelência, Daniel Balaban.

As políticas e programas que esses países estão desenvolvendo e implantando são feitos inéditos, como é o caso da reforma da política de alimentação escolar anunciada recentemente por Bangladesh. Biscoitos energéticos foram trocados por refeições quentes, mais saborosas e nutritivas, alcançando 10,9 milhões de crianças matriculadas em 63 mil escolas do país.

O Senegal está debatendo incluir em sua Constituição o direito humano à alimentação adequada, já o Malauí prepara o rascunho de uma nova política nacional de alimentação escolar. Gâmbia vai realizar em dezembro deste ano um fórum nacional sobre proteção social para fortalecer os laços entre a alimentação escolar e a agricultura familiar no país, e Moçambique aprovou seu primeiro programa de alimentação escolar em escala nacional. Tudo com o apoio do Centro de Excelência.

As delegações vieram ao Brasil dos mais diversos cantos do mundo, como Haiti, Mali, Etiópia, Filipinas e Paquistão, somando aproximadamente 300 delegados, entre eles ministros, secretários de Estado, deputados, técnicos, representantes das Nações Unidas e de ONGs.

A Ministra da Educação do Lesoto, Makabelo Mosothoane, afirmou durante visita de estudos em agosto de 2013: “antes de vir para o Brasil, eu pensava que iríamos nos encontrar com pessoas em escritórios, conversar e voltar para o meu país. Mas nós vimos diferentes atividades acontecendo no país, como agricultura e alimentação escolar. Foi surpreendente. Nós até provamos a comida dos estudantes, e a comida era fresca, dava para ver que os estudantes estavam felizes.”

Das visitas de estudo ao plano de ação

As visitas de estudos são organizadas pelo Centro como a primeira fase de intercâmbio em que os países e organizações visitantes têm a oportunidade de conhecer em profundidade o modelo brasileiro de combate à fome. Referência internacional no tema, o Brasil se propõe a compartilhar sua experiência e expertise para que outros países se inspirem e se capacitem a construir seus próprios modelos e programas sociais.

Na prática, as visitas envolvem uma série de reuniões, treinamentos, debates e pesquisa de campo no Distrito Federal e em projetos e escolas na Bahia, Ceará, Espirito Santo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. O processo é finalizado com a elaboração de um plano de ação exclusivo para a necessidade de cada país, a ser implementado com apoio técnico do Centro.

O apoio do Centro inclui a contratação de consultores que passam de dois a seis meses nos países, trabalhando lado a lado com a equipe do governo e do escritório de país do PMA para detalhar o plano de ação e tirar do papel as atividades planejadas. No total, oito países receberam consultores e o Centro já treinou profissionais para apoiar outras oito nações. Outros cinco países receberam consultoria diretamente da equipe do Centro, com o envio de missões técnicas. Além disso, o Centro ajuda também na organização de um grande seminário de consulta nacional (nos países que estão recebendo apoio) para que os atores relevantes do país se comprometam a implementar o plano de ação e as políticas e programas desenhados. Em três anos, seis países já fizeram seus seminários nacionais.

Depois de realizar duas visitas de estudo ao Brasil, a Etiópia iniciou o processo de criação de sua política de alimentação escolar. De acordo com ministro de Finanças, Ahmed Shide, “há vontade política para executar um programa nacional de alimentação escolar. A única coisa que precisamos agora é implementá-lo e transformá-lo em política pública. O Centro está nos ajudando a criar um novo futuro para a Etiópia”.