Mulheres continuam enfrentando injustiças e tendo seus direitos humanos violados em diferentes partes do mundo, afirmou o chefe da ONU, Ban Ki-moon, durante abertura dos trabalhos da Comissão, que começaram nesta semana. Em quatro países, mulheres ainda não ocupam nenhum cargo no parlamento.

Mulheres marcham em Nova York pela igualdade de gênero. Foto: ONU Mulheres / J. Carrier
“Enquanto os direitos humanos de uma mulher forem violados, nossa luta não terá acabado”, destacou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, durante a abertura da 60ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres, nesta segunda-feira (14).
Ao longo das próximas duas semanas, evento vai promover debates entre governos e sociedade civil sobre as relações entre empoderamento feminino e desenvolvimento sustentável. A Sessão deste ano é presidida pelo Brasil.
A diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, chamou atenção para a dimensão do evento, considerado “o maior fórum intergovernamental” e “uma oportunidade única”, onde as vozes das mulheres poderão definir o caminho rumo ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“O que foi acordado na Agenda 2030 exige que nós mudemos o modo como nós vivemos, fazemos negócios, produzimos alimentos, valorizamos a maternidade, protegemos meninas e meninos, nos comunicamos, respeitamos e reconhecemos os direitos daqueles diferentes do (padrão) ‘mainstream’ em sua orientação sexual ou em qualquer outro modo”, disse Phumzile Mlambo-Ngcuka.
Ban Ki-moon ressaltou que o mundo continua cheio de injustiças para mulheres e meninas, “mas após quase dez anos como secretário-geral, eu sei que essas injustiças não são páreo para a nossa determinação em criar um futuro de igualdade (de gênero) plena”.
O chefe da ONU fez um “apelo pessoal” aos quatro países nos quais ainda nenhuma mulher ocupa um cargo no parlamento e às outras oito nações onde nenhum ministério é liderado por uma mulher. Esses Estados devem se empenhar para mudar essa conjuntura, de acordo com Ban Ki-moon.
O presidente da Assembleia Geral, Mogens Lykketoft, enfatizou que uma das conquistas da adoção da Agenda Pós-2015 foi a transformação da narrativa tanto sobre a importância da paridade entre homens e mulheres, quanto sobre o que provoca o surgimento de desigualdades.
Para o dirigente, a Sessão será uma ocasião única de oferecer orientações aos Estados-membros que estão alinhando seus planos e estratégias aos ODS.
“A Agenda 2030 acolhe o fato de que a igualdade de gênero é uma pré-condição absoluta para as outras mudanças que queremos alcançar até 2030 – combater a pobreza e a desigualdade, construir sociedades pacíficas e inclusivas, promover a prosperidade compartilhada e mudar (nossos mercados) para economias de baixo carbono, resilientes ao clima”, afirmou.