O Ministério da Saúde do Brasil estima que pessoas privadas de liberdade tenham 28 vezes mais risco de adoecimento por tuberculose que a população em geral – e esta é a principal causa de mortalidade entre as pessoas vivendo com HIV.
Internos e agentes do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, terão a oportunidade de participar da I Mostra Internacional de Filmes #ZeroDiscriminação por meio de duas sessões de cinema que serão realizadas nas dependências do Centro de Detenção Provisória (CDP) nesta segunda-feira (8). O filme escolhido é Clube de Compras Dallas, que retrata a batalha de um eletricista texano contra o preconceito, a indústria farmacêutica e os próprios médicos depois de ter sido diagnosticado com o HIV.
As duas sessões serão sucedidas de oficinas e debates sobre a situação da Aids e direitos humanos nos dias de hoje. A proposta representa uma oportunidade de diálogo com grupos mais vulneráveis à epidemia. A população privada de liberdade tem vulnerabilidade acrescida pelo fato de ser formada, em sua maioria, por jovens, muitas vezes egressos do sistema educacional. Em muitos casos, são pessoas que já fizeram uso de drogas ou não foram devidamente informadas sobre os riscos do sexo desprotegido, por exemplo.
“O perfil das pessoas privadas de liberdade no Brasil hoje abrange jovens com pouco mais de 18 anos e menos de 30. São pessoas que visitam pela primeira vez um dentista ou realizam testes de tuberculose, HIV e outras infecções de transmissão sexual dentro do presídio”, afirma o representante do Escritório de Parceria e Ligação no UNODC no Brasil, Rafael Franzini. “Desde 2013, o UNODC realiza oficinas como esta para conscientizar os internos e funcionários sobre estes temas. E, desta vez, estamos fazendo esta iniciativa conjunta com a comunidade internacional para trazer a Mostra #ZeroDiscriminação a este público”, conclui.
Ainda não existem estimativas nacionais, mas estudos pontuais têm sistematicamente mostrado que esta é uma população desproporcionalmente afetada pelo HIV. O Ministério da Saúde estima que pessoas privadas de liberdade tenham 28 vezes mais risco de adoecimento por tuberculose que a população em geral – e esta é a principal causa de mortalidade entre as pessoas vivendo com HIV. No caso das pessoas privadas de liberdade, a superlotação, entre outros problemas, aumenta a vulnerabilidade a infecções como HIV, tuberculose e hepatites.
“Além dos filmes, a Mostra #ZeroDiscriminação conta também com a exposição A liberdade de olhar, que foi produzida por internos e agentes penitenciários, mostrando este universo sob a perspectiva deles, numa relação direta com a promoção do debate e da reflexão sobre direitos humanos”, lembra a diretora do UNAIDS, Georgiana Braga-Orillard. “Da mesma forma como eles trouxeram a realidade dos presídios aqui para fora, queremos que a Mostra chegue até eles de alguma maneira. E a exibição do filme simboliza este intercâmbio”, explica.
A Mostra #ZeroDiscriminação – que acontece em Brasília até o dia 10 de dezembro – é coordenada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), em parceria com o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e 12 representações diplomáticas: Alemanha, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, México, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, Suécia e União Europeia.
Exposições fotográficas
Duas exposições fotográficas complementam a I Mostra Internacional de Filmes #ZeroDiscriminação. A liberdade de olhar poderá ser visitada até o dia 10 de dezembro, na Casa Thomas Jefferson da Asa Sul. O trabalho mostra a vida e a realidade de dois presídios de Porto Alegre (RS) a partir da visão das pessoas privadas de liberdade e de funcionários. Todas as fotos da mostra foram produzidas por internos e funcionarios dos respectivos presídios.
Outra exposição, TRANS[ver], do fotógrafo Fábio Rebelo, poderá ser visitada na Aliança Francesa da Asa Sul também até o dia 10 de dezembro. As fotos retratam travestis e transexuais e suas modificações no corpo, roupas e modo de agir, como forma de expressar com naturalidade que elas também são pessoas com direitos e que merecem ser vistas e tratadas com respeito.
A entrada é gratuita tanto para os filmes quanto para a visita às exposições
NOTA AOS EDITORES:
Iniciativa #ZERODISCRIMINAÇÃO:
Lançada mundialmente pelo UNAIDS em 1º de março de 2014, a Iniciativa #ZeroDiscriminação celebra o direito de todos a uma vida plena e produtiva, com dignidade, não importando sua origem, orientação sexual, identidade de gênero, raça ou etnia. Unindo vozes, comunidades, indivíduos e sociedades, o UNAIDS acredita que seremos capazes de transformar o mundo em um lugar melhor para se viver – todos os dias e em todos os lugares. A #ZeroDiscriminação busca demonstrar que todos podem ser informados e sensibilizados para promover a tolerância, a compaixão e paz. Conheça mais sobre a #ZeroDiscriminação em nossa página no Facebook.
SERVICO:
O QUE: I Mostra Internacional de Filmes #ZeroDiscriminação
QUANDO: 1 a 10 de dezembro
ONDE: Casa Thomas Jefferson Asa Sul e Aliança Francesa Asa Sul – Brasília.
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