Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgou relatório mostrando abusos no conflito no Iêmen. ONU pede que comunidade internacional investigue violações.

A cidade de Sa’ada, no Iêmen, tem sido frequentemente atingida por ataques aéreos. Foto: OCHA / Philippe Kropf
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu na quinta-feira (25) que a comunidade internacional crie um órgão independente para investigar de forma abrangente as violações de direitos humanos no Iêmen.
A solicitação foi feita depois da divulgação de relatório divulgado no qual o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) descreve uma série de abusos cometidos por todos os envolvidos no conflito no país: ataques a áreas residenciais, mercados, instalações médicas e educacionais; uso de minas terrestres e bombas de fragmentação; assassinatos seletivos; recrutamento de crianças, além de remoções forçadas.
O relatório aponta que, entre março de 2015 e 23 de agosto de 2016, cerca de 3.800 civis foram mortos e 6.711 ficaram feridos em função da guerra. Além disso, pelo menos 7,6 milhões de pessoas – incluindo três milhões de mulheres e crianças -, sofrem atualmente de desnutrição, enquanto três milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas.
“Os civis no Iêmen continuam sofrendo, enquanto os responsáveis pelas violações e abusos continuam impunes”, afirmou o alto-comissário em comunicado à imprensa. “Tal situação injusta não deve mais ser tolerada pela comunidade internacional”, acrescentou Hussein.
De acordo com o relatório, a continuidade do conflito e suas consequências sobre a população no Iêmen são devastadores: “A comunidade internacional tem o dever legal e moral de tomar medidas urgentes para aliviar os níveis alarmantes de desespero humano”, alerta o documento.
O documento também observa que, em vários ataques – que resultaram na morte de centenas de civis -, o ACNUDH não foi capaz de identificar a presença de possíveis objetivos militares.
Além disso, o estudo também mostra que, embora uma Comissão Nacional de Inquérito tenha sido criada em setembro de 2015 pelo presidente do Iêmen, o grupo não recebeu cooperação das partes envolvidas no conflito nem conseguiu operar em todas as regiões do país, sendo ‘’incapaz de implementar o mandato em conformidade com as normas internacionais”.
Embora a cessação das hostilidades no Iêmen tenha sido anunciada em 10 de abril, violações graves continuam ocorrendo em Marib, al Jawf, Taiz e nas áreas de fronteira com a Arábia Saudita.