Comunidade internacional precisa tirar República Centro-Africana do ‘pesadelo’, diz ONU

Quase metade da população precisa de ajuda humanitária. Com medo, as pessoas fogem de casa e dormem em arbustos. Dois terços dos pacientes com HIV já abandonaram o tratamento.

Chefe humanitária da ONU, Valerie Amos visita Bossangoa, RCA. Foto: OCHA/Phil Moore

A comunidade internacional tem de correr contra o tempo se quiser livrar o povo da República Centro-Africana (RCA) do pesadelo. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse ao Conselho de Segurança que a crise continua aumentando no pais e que a capacidade das tropas internacionais que lá operam é inferior à necessidade dos civis.

“A situação do país tem estado na agenda do Conselho de Segurança por muitos anos. Mas, hoje, a emergência é de outra magnitude, mais perturbadora”, afirmou Ban nesta quinta-feira (20).

A RCA testemunhou no ano passado a violenta derrubada do governo, o colapso das instituições estatais e um mergulho na ilegalidade. A crise já resultou na morte de milhares de pessoas, obrigou quase 1 milhão a deixar suas casas e deixou 2,5 milhões – quase a metade da população – em necessidade de assistência humanitária imediata.

O conflito começou com ataques dos rebeldes muçulmanos do Séléka em dezembro de 2012 e tem ganhado cada vez mais o tom sectário por causa da milícias cristãs anti-Balaka. Uma divisão que, avalia Ban, pode arriscar a estabilidade do país para as próximas gerações.

A chefe humanitária da ONU, Valerie Amos, visitou o país nesta quinta-feira e se disse “chocada” com as casas queimadas e as pessoas que, amedrontadas, estão dormindo nos arbustos.

O diretor executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), Michel Sidibé, que também visitou o país, disse que os conflitos obrigaram dois terços da população que vive com HIV e estavam em tratamento a fugir de casa. Isso fez com que perdessem o acesso aos medicamentos e aos cuidados necessários.