Assessor Especial da ONU para a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng alerta para o risco de aumento da violência sectária na Síria.

O Assessor Especial da ONU para a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, alerta para o risco de aumento da violência sectária na Síria e apela a todas as partes no conflito que se abstenham de atingir indivíduos ou grupos com base na identidade religiosa ou étnica. “Estou profundamente preocupado de que comunidades inteiras estejam pagando o preço pelos crimes do Governo sírio”, disse Dieng em um comunicado divulgado na noite desta quinta-feira (20).
“Na medida que a situação na Síria se deteriora mais, existe um risco crescente de que as comunidades civis, incluindo as minorias alauitas e outras percebidas como associadas ao Governo, as forças de segurança e milícias aliadas possam ser objeto de represália”, acrescentou.
Os comentários de Dieng ecoaram os do painel independente da ONU sobre violações dos direitos humanos na Síria, que afirmou também nesta quinta-feira que o conflito tornou-se “abertamente sectário”.
De acordo com a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria, além de alauitas, grupos minoritários como armênios ortodoxos, cristãos, drusos, palestinos, curdos e turcomanos também foram arrastados para o conflito.
Notando que o Governo sírio está “falhando em proteger sua população”, o Assessor Especial disse que a comunidade internacional deve agir para proteger as populações contra o genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade, incluindo o seu incitamento – conforme compromisso assumido em 2005.
“Também reitero os apelos da comunidade internacional para o Conselho de Segurança levar a situação da Síria ao Tribunal Penal Internacional e ressaltar a importância de tomar medidas agora para facilitar futuros processos de justiça transicional na Síria”, declarou Dieng.