Diante de um acordo entre os governos de Bangladesh e Mianmar sobre a volta dos refugiados da minoria muçulmana rohingya a Mianmar, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) ressaltou que os retornos devem ser voluntários e em condições seguras e dignas.

Refugiados rohingya que fugiram do estado de Rakhine, Mianmar, atravessam um rio em Palong Khali, no distrito de Cox’s Bazar, Bangladesh. Foto: UNICEF / LeMoyne
Diante de um acordo entre os governos de Bangladesh e Mianmar sobre a volta dos refugiados da minoria muçulmana rohingya a Mianmar, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) ressaltou que os retornos devem ser voluntários e em condições seguras e dignas.
“Atualmente, as condições no estado de Rakhine, em Mianmar, não permitem retornos seguros e sustentáveis. Os refugiados ainda estão fugindo e muitos sofreram violência, estupro e danos psicológicos profundos”, disse Adrian Edwards, porta-voz do ACNUR, em uma coletiva de imprensa na sexta (24), em Genebra.
“É fundamental que os retornos não ocorram precipitadamente, sem o consentimento informado dos refugiados e sem os elementos básicos para soluções duradouras no local”, ressaltou.
Nos últimos três meses, a violência generalizada no estado de Rakhine, Mianmar, resultou no deslocamento de 622 mil pessoas, que fugiram para o vizinho Bangladesh. Antes dessa última crise, Bangladesh já hospedava mais de 200 mil refugiados rohingya como resultado de deslocamentos anteriores.
De acordo com a agência de refugiados da ONU, alguns dos que fugiram testemunharam a morte de familiares e amigos – e a maioria tem pouco ou nada para retornar, já que suas casas e aldeias foram destruídas.
“As divisões profundas entre as comunidades permanecem sem soluções”, acrescentou Edwards, ressaltando que é preciso abordar as causas do deslocamento, incluindo a falta de cidadania para os membros da comunidade rohingya, conforme recomendado pela Comissão Consultiva Rakhine.
Além disso, o acesso humanitário no norte do estado de Rakhine permanece negligenciado.
O porta-voz do ACNUR também observou que a agência espera receber detalhes do acordo entre os dois países e que está pronta para ajudar ambos os governos a trabalhar para uma solução que atenda os padrões internacionais de direitos humanos.
“Os refugiados têm o direito de retornar, e uma estrutura que permita que eles exerçam esse direito alinhado aos padrões internacionais será bem-vinda”, concluiu.
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